Está faltando tecla SAP nessa comunicação
por Beatriz Carvalho em 14/11/2011 na categoria Comportamento e Geração Y

Escutei algumas conversas de “gente grande” meio desconexas sobre o que a Geração Y entende por qualidade de vida. A verdade é, estamos totalmente estereotipados, como nenhuma outra geração havia sido. Aliás, chega a ser engraçado o tom das conversas que escuto. Somos analisados como ratos de laboratório, observados a cada novo movimento, e ainda quem ganha o “mérito” das descobertas são eles.
O que mais me preocupa é que estamos sendo vistos como preguiçosos, imaturos e incoerentes quando o assunto é qualidade de vida no trabalho. Apontam que queremos trabalhar pouco, ganhar muito e que trocamos de empresa por qualquer incompatibilidade interpessoal. ‘Pera’ lá, né! Acho que está rolando uma falha na comunicação por aqui.
Não queremos trabalhar pouco e ganhar muito. Queremos trabalhar as horas necessárias por dia, mesmo que sejam horas extras, mas que para isso haja coerência entre quando há emergência em uma tarefa/projeto e quando isso passa a se tornar uma rotina, ou pior, quando você passa a ser mal visto por estar saindo exatamente no seu horário, mesmo sabendo que suas tarefas do dia foram todas cumpridas. O “ganhar” é só uma consequência justa de tudo isso.
Sobre as mudanças de emprego em função de possíveis desavenças, acho que isso para nós está muito mais ligado ao desprendimento em ter que aguentar uma atitude ou comportamento, que nem hoje nem no longo prazo, nos faria amadurecer. Se simplesmente não está de acordo com o que acreditamos e não há previsão ou intenção de melhora (por você ou por terceiros), então a pergunta deixa de ser “por que sair?” para se tornar “por que ficar?”, entende?
Anseio por qualidade de vida todo mundo tem, independentemente da geração. O que está acontecendo é que talvez agora as pessoas tenham muito mais consciência e informação acessível dos seus diretos e das consequências em adotar um determinado estilo de vida do que no passado.
Sou a favor de mais análises e mais debates, porém que sejam “entre” gerações e não “para” gerações. Descobriremos assim quantas coisas mais temos em comum.
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