Carreira no exterior: objetivo concreto ou sonho distante – Parte II

por Wagner Nunes em 26/09/2011 na categoria Carreira e Desenvolvimento Profissional e Exterior e Planejamento

Iniciar uma carreira no exterior é algo que freqüentemente ronda as mentes e as rodas de conversa dos jovens da Geração Y.

A possibilidade de aperfeiçoar um idioma, trabalhar em uma cultura totalmente diferente e receber um salário substancialmente mais gordo e em uma moeda mais forte costumam ser atrativos extremamente sedutores.

No primeiro texto desta série, falei sobre o primeiro e mais importante passo no processo de iniciar uma carreira em outro país: determinar se essa vontate é apenas um sonho ou um objetivo real de vida que trará um nível significante de satisfação e felicidade.

Mas como chegar lá? Quais são as portas de entrada?

Existem várias opções e, como tudo na vida, os caminhos corretos demandam dedicação, tempo e esforço. Se você realmente pretende se estabelecer no exterior para viver e trabalhar legalmente, os caminhos mais comuns são:

Movimento interno ou transferência dentro da mesma empresa: Muitas das multinacionais estabelecidas no Brasil têm programas de movimentação lateral ou mesmo de relocação temporária e/ou permanente de funcionários em suas unidades no exterior. Este caminho requer bastante planejamento interno e normalmente está fortemente vinculado a performance individual e destaque dentro da empresa. Este é um dos casos onde muito bem se aplica a máxima de “quem não é visto não é lembrado”. Se você pretende percorrer este caminho, a primeira coisa a fazer é conversar com seu gerente e com alguém do RH para saber qual o processo adequado a seguir.

Projeto interno de curto/médio/longo prazo: Esta prática é bastante conhecida nas multinacionais de TI estabelecidas no Brasil. Trabalhei por 2 anos na Dell Computers em Porto Alegre e era bem comum ver Team Leads viajando para os EUA para a implantação de projetos. Eu mesmo passei um tempo lá e foi uma experiência espetacular — mas isso é assunto para outro post. Estes projetos normalmente estão atrelados a um conjunto bem específico de tarefas e objetivos, como implantação, treinamento, transferência de conhecimento, coaching ou suporte. Normalmente, a sugestão de que você visite a unidade da sua empresa no exterior vem de fora mesmo, geralmente em função de características específicas do seu trabalho, das suas habilidades ou da sua posição no time. Mais uma vez, exige planejamento e um tanto de sorte e timing.

Sponsorship (patrocínio): Esta opção é mais comum entre os profissionais que já estão no exterior temporariamente (seja estudando idiomas, trabalhando part-time ou em busca de uma oportunidade de trabalho permanente) e exige muita persistência. Um sponsorship dá o direito de um estrangeiro permanecer no país pelo tempo no qual ele esteja vinculado a empresa. Ou seja, se você for demitido ou pedir demissão, terá que sair do país ou encontrar outra empresa que forneça outro patrocínio ou visto de trabalho similar.

Visto de residência permanente: Das opções citadas, provavelmente é a mais complexa de todas, pois além de burocrática, possui regras de elegibilidade que variam de país para país. Por outro lado, é a opção que dá ao profissional maior flexibilidade na busca do primeiro emprego no exterior, pois não restringe o profissional a uma empresa em específico. Também permite que o profissional resida no país de destino por tempo indeterminado, esteja ou não empregado. Em outro post, trarei mais detalhes da minha experiência na obtenção do visto de residência permanente australiano e informações sobre o mesmo processo na Inglaterra e Canadá.

Cada um de nós está num momento profissional e ambiente de trabalho único. Nenhuma empresa ou posição é igual a outra, portanto avalie bem o ambiente onde você está inserido, faça sua escolha e comece a arrumar as malas.

No terceiro e último texto desta série de artigos, vou falar sobre os desafios, dramas e prazeres de viver e trabalhar no exterior. Até lá!

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Sobre o autor:

Wagner Nunes é gaúcho, vive em Sydney, Austrália desde 2008 e atua como IT Project Manager em um órgão do Governo do Estado de New South Wales. Também atua como Tutor no Curso de Graduação em IT da Universidade de Sydney. Blog: http://blog.wagnernunes.com Twitter: http://twitter.com/wagnernunes
  • Veri

    Parabéns, Wagner! Mais e mais sucesso pra ti, guri!
    Abraços!

    • Wagner Nunes

      Obrigado Veri! :)

      • Mariluce Prado

        Gostei, parabens!!! Estou aguardando vc postar o restante, um abraco e feliz ano novo!!

  • Diego

    Muito bom o texto Wagner, as oportunidades estão aparecendo para aqueles que tem interesse em fazer carreira no exterior, basta ficar atento.

    É importante estar preparado, cursos, Inglês, Espanhol, para quando a “oportunidade”bater a sua porta.

    • Wagner Nunes

      Valeu Diego.

      É verdade. Dominar o idioma não é algo opcional para construir uma
      carreira sólida e de sucesso no exterior. Infelizmente a grande maioria
      dos brasileiros que se arriscam no exterior (pelo menos baseado no que
      vejo na Austrália) não se esforça em melhorar o inglês e fica esperando
      que o “emprego dos sonhos” simplesmente caia do céu.

  • Marcelo Silva

    Wagner, como vai?
    Muito legal essa sua série de artigos sobre o tema, que me interessa muito, e por isso gostaria de uma ajudinha sua.
    Embarco para Sydney em janeiro, onde vou começar uma Pós em março, que vai até novembro. Lá, vou atrás de algum emprego na minha área (jornalismo esportivo, já que sou jornalista formado, e marketing/gestão/administração esportiva, área da minha Pós, e que também quero seguir carreira).
    Ao final da Pós, caso eu queria ficar na Austrália para trabalhar, quais são os procedimentos? Isso é possível? Ou tenho que renovar o visto de estudante, para começar um novo curso e aí assim começar a pensar em visto de residência permanente?
    Espero não ser muita coisa para você responder.
    Ah, aproveito para perguntar se indicas algum bairro bom e barato, para alugar um ap aí em Sydney. Vou estudar no Olympic Park e minha namorada no Ultimo, aí pensei em procurar algo no meio dessa área, para ser bom para os dois. Também estou pesquisando algo em torno do Centennial Park, ali por Surry Hills ou até mesmo Bondi Junction. É uma boa, ou o valor de rent já aumenta um pouco?
    Valeu!