Política? E o que eu tenho a ver com isso?
por Beatriz Carvalho em 12/08/2010 na categoria Geração Y e Política
Passada toda a euforia da Copa do Mundo na África do Sul, e também não poderia deixar de citar, das famosas vuvuzelas, voltamos nossos olhares para o Brasil e para o segundo maior acontecimento esperado pelos brasileiros neste ano, as Eleições 2010. Não sei se utilizo o termo certo quando digo “esperado”, pois creio que o engajamento ativo nas questões políticas nunca fez parte de nossa cultura, infelizmente.
Antes de iniciar este texto, ai vai uma perguntinha rápida:
Neste ano, o brasileiro irá escolher representantes para quais cargos políticos?
Se você pensou em Presidente, Governadores, Senadores e Deputados Federais e Estaduais, parabéns você acertou! Caso sua resposta não tenha sido esta, preocupe-se por dois motivos: primeiro porque não acertou e segundo, pois você, provavelmente, representa a regra da exceção.
Fazendo uma rápida pesquisa na internet sobre o engajamento político dos jovens nas últimas décadas, podemos destacar três grandes momentos da história: nos anos 60 e 70, na luta contra a ditadura, nos anos 80, com a conquista das “Diretas Já”, e no início dos 90, quando os jovens da época ficaram reconhecidos como os “cara-pintadas”. A partir de então, não se encontra mais notícia sobre a juventude do novo milênio como protagonista nas questões políticas, pelo contrário, inicia-se uma série de críticas sobre os jovens cada vez mais individualistas e consumistas, fruto de uma criação sem valores dentro do sistema capitalista neoliberal.
Mas por que será que os jovens, cada vez mais antenados no que acontece pelo mundo, ainda não se sensibilizam com um assunto de tamanha importância?
Em busca desta resposta, encontrei uma pesquisa muito interessante realizada pela organização não-governamental Ação Educativa, aplicada em 2005, que mostra que a questão principal não é a conscientização do jovem sobre o assunto, pois ele sabe sim do que se trata e tem consciência de seu papel como modificador deste cenário no país, o problema está na disposição em se envolver neste campo, que ainda é muito relacionado à partidos e questões relativas ao governo.
Após refletir sobre esta informação, confesso que ao invés de me sentir mais motivada e inspirada em deixar meu lado cidadã consciente falar mais alto, aproveitando a onda do momento, acabei ficando mais confusa e preocupada, pois percebi que além do esforço necessário para me comprometer honestamente e de maneira responsável neste assunto, (mesmo lutando contra meus profundos sentimentos que dizem que isso tudo nunca vai mudar) ainda tenho que abrir minha mente e enxergar que Política é muito mais do que corrupção, campanha eleitoral e Brasília.
É meu caro, é preciso sair da zona de conforto. Para isso, ajudaria muito se houvessem mais campanhas de incentivo para despertar o interesse dos jovens e que os políticos se aproximassem cada vez mais deste público, para que a juventude também se sinta representada. Sem contar o incentivo familiar e escolar para atingir os futuros eleitores.
Quanto a nossa parte nessa história toda, vamos fazer um esforço. Pensem primeiro nas vantagens que nossa geração possui com o acesso a mecanismos de informação em tempo integral e livres do poder ideológico de terceiros. Podemos criar novas formas de fazer política! Assim, cumpriremos nosso dever de participar de maneira efetiva do processo político eleitoral em nosso país, sem deixar de usufruir o direito que nos cabe à liberdade de expressão, no melhor estilo Geração Y.
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