Resiliência, o talento oculto

por Bruno Mascarenhas em 21/06/2010 na categoria Competências e Comportamento

Resiliência, o talento oculto

No rol das competências necessárias para se conquistar uma vaga – em grande parte das empresas brasileiras – está uma palavra que pouca gente conhece, mas que todos precisam: a resiliência. Para a física, significa a capacidade de um corpo de voltar ao seu estado original após sofrer forte tensão (Pense em um elástico, por exemplo). No contexto corporativo, esse conceito ganha notoriedade – dificilmente encontramos, hoje, uma vaga que não exija uma grande “capacidade de trabalhar sob pressão”, aí está a resiliência.

Quem não consegue reagir bem às mudanças, acaba se tornando resistente – uma posição antagônica à resiliência. Resistente é aquele que prefere não sofrer mudanças, procura evitar qualquer tipo de risco e desafio, preferindo a zona de conforto. É “osso duro de roer” e acaba trazendo problemas para seu gestor.

Conheci duas pessoas que retratam muito bem essas duas figuras: Roberto, o resiliente e Júlio, o resistente. Eles fizeram faculdade juntos e Júlio começou a carreira com Roberto, no mesmo cargo. Ganhando um salário mínimo e trabalhando bastante. Trabalhavam em uma grande empresa, sob bastante pressão e precisavam entregar resultados em curto prazo. Eles se adaptaram rápido e, em alguns meses, Roberto conseguiu sua primeira promoção. Júlio não queria se inscrever em programas de recrutamento interno, tinha medo do novo. Sabia que estava em uma posição confortável, onde já dominava o trabalho e não precisava correr “riscos desnecessários”.

Hoje, cinco anos depois, Roberto, o resiliente, é gerente de projetos da empresa – ganha quinze vezes mais que Júlio, o resistente, que está no mesmo lugar, apontando a “sorte” de Roberto na carreira.

Quem costuma ler meus textos sabe que não gosto muito da sorte. “Assim Falou Zaratustra” (Nietzsche) e “O Príncipe” (Maquiavel), ensinaram lições que mudaram minha postura em relação à carreira. Júlio estava a mercê da sorte, resistente às mudanças. Roberto “fez sua própria sorte”, aceitou desafios e soube ser resiliente quando necessário.

Entendo que a resiliência é uma espécie de talento oculto, uma espécie de competência que fica adormecida e só vem à tona quando há realmente muita pressão sobre o profissional (se ele a possuir, é claro).

Então, reflita sobre sua atual capacidade de reagir às adversidades, à extrema pressão, e procure trabalhar essa competência, tão necessária quanto possuir liderança, boa comunicação e trabalho em equipe. Procuro descrever a resiliência como equilíbrio emocional – uma competência que exige muita maturidade, percepção do ambiente e auto-avaliação contínua de sua posição perante o grupo de trabalho. Ser resiliente é um pré-requisito para buscar o crescimento na carreira e aceitar novos desafios. Pense nisso!

E você… Consegue reagir bem às adversidades? É resiliente ou resistente?

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Sobre o autor:

Bruno Mascarenhas é Pós-Graduando em Gestão Estratégica e Qualidade pelo IAVM-RJ e Graduado em Gestão de Serviços. Atua como Trainee da área comercial em uma grande empresa do Varejo e é fundador de duas empresas na internet. É autor do livro "Carioquismos" e também escreve para outros portais de conteúdo. No Minha Carreira escreve sobre Gestão, Empreendedorismo e Carreira desde novembro/2009. Contato: bruno@tecno3.com.br
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Comentários

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  • Laísa em 27 de junho de 2010 às 10:31

    Oi, Bruno,

    ‘Resiliênsia’ tem sido um exercício diário pra mim, gostei muito das suas reflexões!

    Bjs!

  • Bruno Mascarenhas em 2 de julho de 2010 às 10:19

    Olá Laísa querida, pra todos nós, concorda?
    A Resiliência tem sido cada vez mais exigida no louco mundo corporativo! Sucesso para nós!

  • O melhor da semana 27/06 a 03/07 « QualidadeBR em 4 de julho de 2010 às 0:18

    [...] Resiliência, o talento oculto – Bruno Mascarenhas (Minha Carreira); [...]

  • Juli Fernandes em 13 de julho de 2010 às 18:29

    Resiliência é bom para empresas que se acomodam. Essa tal “capacidade de voltar ao estado natural depois de forte tensão” nada menos representa a justificativa da mediocridade generalizada: preferimos o subserviente ao “rígido”, “cabeça-dura”, “seguro demais de si” ou, como você colocou, “resistente”. O resistente, boa parte das vezes, é o que, com o tempo, chega à cadeira de presidência de grandes corporações. Vide qualquer (eu disse qualquer) uma das dez maiores empresas do Brasil e veremos que, no comando, há pessoas muito pouco resilientes. Profissionais altamente capacitados, talentosos e dedicados. Que não se contentaram em seguir uma carreira (de trainee a gerente) de uma multinacional qualquer – que o paga 15 mil reais, mas fatura 150 milhões. Desculpe-me a divergência, mas o texto me parece uma ode ao comodismo. Melhor seria se tantos jovens pudessem ler mais e entender que os mecanismos econômicos estão intimamente ligados aos fatores sociológicos. Teríamos menos gente em busca de carreira e sucesso – e muito mais profissionais com conteúdo e capacidade de mudar, sim, mas sem a tal resiliência.

  • Bruno Mascarenhas em 15 de agosto de 2010 às 23:31

    Juli, o Minha Carreira é totalmente democrático e livre para qualquer discordância, sua opinião é muito bem vinda!
    Concordo plenamente com você no que tange à questão do comodismo, mas permita-me dizer que resiliência não é sinônimo de comodismo. O comodista, como digo no texto, é aquele que prefere ficar onde está e não ser incomodado com os riscos que as novidades trazem.
    Quando você diz que o “resistente” é o que chega à cadeira da presidência, prefiro me referir à este como o “profissional com conteúdo”, com opinião própria e pulso firme. E isso, cara Juli, nada tem a ver com resistência.
    Obrigado pela contribuição, espero que participe sempre!
    Um grande abraço!

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