Multitarefa ou Apaga Incêndio

por Beatriz Carvalho em 14/06/2010 na categoria Geração Y

Multitarefas ou Apaga incêndio?

Caracterizada pela habilidade em ser multitarefa e da maneira passiva pela qual recebeu tal caracterização, me arrisco a dizer que a Geração Y vem deixando o mercado um tanto mal acostumado. É certo que gostamos de ser assim e acabamos fazendo isso muito bem, porém percebo que as empresas, que são justamente as mais beneficiadas com tudo isso, andam confundindo o termo “profissional multitarefa” com “profissional apaga incêndio”.

O profissional “multitarefa” é aquele que desempenha mais de uma atividade com eficiência e não compromete seu resultado por isso. Já o profissional “apaga incêndio” inicia diversas atividades ao mesmo tempo, às vezes finaliza, às vezes não. Ele nunca consegue fazer àquela que é, realmente, de sua responsabilidade, e pior, é contaminado pela síndrome do “eu quero abraçar o mundo sozinho(a)”.

Você já viu esse filme antes em algum momento de sua vida?

Nunca me esqueço de uma frase que ouvi no início de minha carreira: “Quem faz um pouco de tudo também faz muito de nada”. Vocês já pararam para perceber que de uns anos para cá as empresas estão pagando salários relativamente maiores em todos os níveis e para todas as áreas de atuação? Perceberam também que estão contratando menos e que hoje em dia é normal ficar mais do que oito horas diárias fazendo nossas tarefas, além de outras atividades que estão em paralelo às nossas responsabilidades?

Não estou aqui para dizer o que é certo e o que é errado em um mercado que muda constantemente. Penso apenas que nós  da Geração Y devemos ficar atentos às características que nos são dadas, saber por que nos denominam assim e de que forma somos tratados com base nessas supostas teorias.

Isso nos permitirá filtrar melhor os conselhos e conceitos que recebemos, para então termos ao menos consciência do que estamos nos dispondo a fazer e não se convencer por falsas alusões em função de um benefício com o qual nem sempre estamos envolvidos.

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Sobre o autor:

Beatriz Carvalho é formada em Relações Públicas e worklover assumida. Acredita na comunicação e no relacionamento como estratégias de negócio, por isso atua há 4 anos com pós-venda. Carimbou em fevereiro de 2010 seu passaporte rumo às discussões do Minha Carreira. @bea_rcarvalho
  • Thiago Souza

    Posso me considerar como multitarefa. Destesto ver as coisas por fazer e ninguém toma uma atitude. Mas, o pior é que, hoje, fui criticado por isso (de que basta chegar um e-mail na minha caixa e eu rapidamente faço as minhas observações a respeito do mesmo). E isso depois de eu ter recebido uma avaliação de desempenho inferior a muita gente que não faz metade do que faço.
    Estou quase acreditando que o caminho para a valorização e o reconhecimento é só fazer aquilo que lhe dê visibilidade.
    Estou certo ou no lugar errado? A dúvida persiste…

    • http://waldineyromero.blogspot.com/ Waldiney Romero

      Eu já passei por essa experiencia. O valor e reconhecimento só aparecer apartir que você tenha “Orbita própria”.

      Apartir que você viver preocupado e ansioso com problema que não é seu ou sonhos de outros. Você aumenta a possibilidade de se decepcionar.

      Agora, quando vc começar se preocupar com suas tarefas e seus projetos.

      Você plantará sementes e vair colher os seus proprios frutos.

  • http://xandrelima.blogspot.com Xandre Lima

    Concordo com você Bia. Eu vejo líderes enchendo o peito para falar de empreendorismo, de como a Apple e o Google são o máximo, no entanto o que mais vejo é que ninguém quer aplicar as formas de liderança e contratação dessas empresas nas suas próprias organizações.

    O “apagar incêndio” parece ser bem visto, parece ser o que o mercado brasileiro abraça como o “bom profissional”. Os líderes inventam frases do tipo “Você é rápido” , “Você resolve rapidinho”, “Você é versátil”, no entanto no fundo o funcionário é mais um que caiu na história do “trabalhe até tarde, faça rápido e entregue assim mesmo”. O multitarefa é muitas vezes negligenciado por que é over qualified ou quer um salário maior.

    Acho que os profissionais têm que tomar cuidado com as empresas que contratam “apagadores de incêndio” pois são lugares onde você não cresce e não aprende, você apenas ajuda os chefes a crescer.

  • http://www.produzindo.net Rômulo Sousa

    Muito bom este artigo, o que você disse é realmente a pura verdade.
    Vou fazer algumas considerações aqui e se caso eu estiver errado, gostaria que outras pessoas discutissem esse tema comigo.
    O profissional multi tarefa, como a Beatriz enfantizou, realmente existe nas empresas, tanto grandes como pequenas, na organização em que eu atuo, faço esse papel, de multi-tarefa e por que não dizer de apagador de incendios, pois acredito que os dois termos estão intimamente ligados…
    Concerteza desempenhar um papel desses tem seu lado ruim, como a propria autora disse, corre-se o risco da gente não desempenhar nossas reais funções de maneira correta, as vezes a gente perde bastante tempo com atividades de menor importância que foi passada pelo chefe, e outros fatos a mais…
    Mas acredito que o profissional que se adapta a isso, tem a ganhar e muito…hoje as empresas estão tentando enxugar seu quadro de pessoal, contratado o minimo possivel e claro trabalhando mais, mas vejamos bem…este tipo é valorizado pelo mercado…e é sem dúvida nenhuma um ponto positivo a seu favor…
    A realidade é, seja qualquer empresa, grande ou pequena, ou até mesmo uma ONG, as organizações precisam de profissionais multi – tarefas e apagadores de incendio..
    Agora a questão é, como a gente deve -se comportar nesse caso…
    Injustiças como no caso do Thiago acontece aos montes, mas acredito também que é uma caracteristica que conta muito ao profissional de hoje..

  • http://www.tossulino.com Guilherme Tossulino

    Oi Romulo,

    Certamente, o atual cenário brasileiro exige que cada vez mais que menos profissionais exerçam as mesmas funções. Consequentemente, isso acaba gerando um sobrecarga sobre aqueles que mais produzem. Isso acontece naturalmente e na minha opinião, gera o multitarefa.

    É certo que a Geração Y tem uma maior predisposição para isso, tudo pelo fato de terem sido criados com esse estímulo.

    O que um profissional precisa buscar é satisfazer-se pessoalmente e buscar o sucesso. Se isso vai acontecer sendo um multitarefa ou um apaga incêndio não importa.