Jovens heróis

por Vanessa Guedes em 28/05/2010 na categoria Geração Y

Jovens heróis

Ao assistir alguns vídeos mostrando os famosos escritórios da Google no mundo, refleti sobre as pessoas que alcançam a graça de trabalhar para uma empresa tão à frente de seu tempo e tão atual. Em um dos vídeos, o presidente da companhia no Brasil falava sobre a importância que eles dão aos candidatos criativos, empolgados e comunicativos. Isso até mesmo tem virado muito lugar-comum nos anúncios de oportunidades que vejo diariamente pela internet. Todo mundo quer pessoas bem humoradas, adaptáveis, comprometidas, bem-humoradas, dispostas a aprender, etc.E nós sabemos que de gente com iniciativa o mundo está cheio; os jovens de hoje são muito pró-ativos, e mantém uma gama de atividades ligadas à muitas áreas. Porém não deixamos de fugir das velhas exigências – tão esquecidas nos anúncios de emprego – em que pregam a contratação de pessoas sérias, focadas, e pontuais. E eu apoio muito esse perfil, ainda hoje. Não que eu seja alguém excessivamente tradicional, mas vez ou outra tenho a nítida sensação que o anúncio publicado é uma oferta de um emprego de 2h diárias de trabalho e 6h de interação alegre entre os funcionários. E nós sabemos que o mundo não é assim.

Talvez o século XXI esteja formando apenas uma nação de “pessoais legais”, por causa dessas exigências valorizadas, porém somente aqueles extremamente focados vencem num ambiente tão libertário. E isso não é algo que as faculdades ensinem, ou que seja indicado nos anúncios. Assisti a muitas palestras motivacionais cheias dessa ladainha de extroversão e criatividade – e aí que os jovens se preocupam demais em se mostrarem super heróis da Geração Y, e perdem o foco. Se atiram em inúmeras tarefas, se envolvem com vários projetos, e nunca acabam o que começam. Ou ficam perdidos pelo caminho, deslumbrados com tantas possibilidades de atuação dentro do seu cargo e acabam por não engrenar nenhum direito. E então chega a primeira retaliação – às vezes disfarçada de conversa informal – da chefia, ou a primeira demissão. E o jovem fica frustrado, pois seguiu todas aquelas dicas sobre ser solicito e rápido em aprender coisas novas, e ainda sim obteve só insucesso.

Acredito no bom-senso das pessoas e valorizo aqueles que encontram o ponto de equilíbrio entre o funcionário-herói e o funcionário convencional. Precisamos de um pouco de experiência para chegar ao ponto, e muita percepção ao observar a si e aos colegas. O que mantém funcionários de empresas como o Google – que permite até mesmo que você leve o cachorro para o ambiente de trabalho – é o nível de produção. Não é nem mesmo a quantidade, mas o nível mesmo. A qualidade dos projetos que você realiza, a quantidade de aproveitamento de suas idéias, e seu próprio comprometimento com a equipe. E isso realmente ninguém nunca disse em nenhuma palestra motivacional que eu assisti e em nenhum artigo que eu tenha lido em sites sobre o assunto.

Existem coisas – tão simples quanto bom-senso – que nenhum chefe ou professor vai ensinar; precisamos de muita prática em observar as atitudes alheias para aprender. E focar nos objetivos próximos, não em metas absurdas idealizadas por outras pessoas, sobre como devemos ser – sem pensar no que somos capazes de ser.

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Sobre o autor:

Vanessa Guedes é Desenvolvedora web, possui experiência com Gerenciamento de Projetos. Atualmente é graduanda em Física e tem como foco principal a melhoria na carreira de desenvolvedora web. Faz parte do Minha Carreira desde Maio de 2010.
  • http://cristianpj.spaces.live.com/ Cristian P.J.

    Olha, falou tudo. Na minha opinião esse papo de “as empresas precisam se adaptar à nova realidade da Geração Y” não me convence mesmo. Empresa precisa de dinheiro e isso não conseguimos em 2hrs de trabalho, rs. O equilíbrio é o caminho. Não militar, não liberal, mas equilibrado e com bom senso. Aliás, até hj me pergunto como pode-se ter produtividade de levar o trabalho a sério, sem vestir a camisa… mas isso já é outra discussão. Um viva pra vc \o/ ;)

    • Vanessa Guedes

      Obrigada (atrasadíssimo), Cristian!

  • Beatriz Carvalho

    Gostei muitíssimo do texto…você conseguiu fazer sua estréia aqui no MC no melhor estilo!

    Antes de começar a trabalhar eu achava que só existiam, basicamente, dois tipos de profissionais: os competentes e chatos ou os “enroladores” e legais. Assim como a gente vê na escola, com os nerds e os descolados.

    Quando entrei para o mercado, não sei se pela quantidade de jovens que havia na empresa, trabalhávamos em uma atmosfera onde todos tinham que lutar diariamente para ser “Jovens Heróis”. A descrição seguia exatamente como você disse.

    Concordo com seu ponto de vista e acho que também deve haver moderação nesse novo modelo de jovem profissional que o mercado está construindo. Porém, lembro que foi justamente esse “gás” da minha primeira empresa que me fez entender o significado da palavra auto-motivação, e com ela, consegui manter o foco da minha carreira independente da empresa em que estivesse.

    Como você disse, o equilíbrio é sempre a melhor solução, mas enquanto o jovem iniciante ainda não tem parâmetros para entender o que para ele significa “equilíbrio”, que as empresas assumam este papel e façam as dosagens necessárias.

    • Vanessa Guedes

      É, também acho que faltam iniciativas internas de conscientização sobre isso, e ficamos na expectativa que alguém note esse fator importante que afeta toda essa gama de jovens de futuro.

  • Angelina Uesato

    Adorei o post e até encaminhei para uns colegas aqui na empresa que trabalho.

    manter o foco e a alegria dentro do ambiente de trabalho é uma luta constante.

    • Vanessa Guedes

      Bom saber que o argumento foi útil para alguém e disseminado para pessoas importantes. =]

  • Pingback: ótimo sábado « Garota Coca-Cola

  • http://www.heroisdati.com/ Denis Ferrari

    Parabéns Vanessa, equilíbrio e bom senso são realmente os ingredientes que passam despercebidos nas “receitas” ofertadas para a nova geração.

  • http://www.haroldonobre.blogspot.com Prof. Haroldo Lemos

    Perfeita a abordagem sobre a prática hodierna e hedionda de se tentar abarcar múltiplas atividades e achar-se que, assim, estar-se-á sendo produtivo. Nunca se falou tanto em foco, surgiu até o verbo ‘focar’.Não é à toa que a epidemiologia dos transtornos comportamentais mostra um incremento assombroso de TDA+H,TDA+I,TID e por aí vai. Tudo a partir dos 10 anos de idade, porque muitos currículos escolares estão tão multifacetados que resultam nisso. a coisa começa cedo e ninguém (?) está percebendo E tome ritalina na galera.

    • Vanessa Guedes

      É, poderiamos chamar nossa geração de “geração ritalina”… Preocupante.

  • http://infinitomaizum.wordpress.com/ Robson Garcia Formoso

    Geração nova, necessidade nova e o título poderia ser “A Armadilha”.

    Se todo mundo for legal, ninguém é legal. Só existem pessoas legais, porque pelo menos uma não. hehehe

    Parabéns.

  • http://twitter.com/b_mascarenhas Bruno Mascarenhas

    Brilhante, Vanessa. Já havia lido o texto, mas resolvi comentar agora. Me considero o “tradicional” e “focado” que você cita. Também não concordo que as empresas devem e vão mudar por causa da Geração Y e não concordo que TODOS os jovens tenham iniciativa e sejam “heróis”. Muito pelo contrário. A real Geração Y é uma pequena parcela dos jovens da nossa geração, a outra parte (maioria) é composta por jovens sem “super poderes” ou “super competências”.
    Fico preocupado com o futuro que criaremos, pois realmente (como você cita brilhantemente), as propostas de emprego, os anúncios e tudo mais, estão transformando a nossa geração em uma geração de sonhadores virtuosos e inconsequentes… Preocupante.

    Parabéns pelo texto e pela bela discussão que criou!

    • Vanessa Guedes

      Exato. Essa realmente é uma das minhas preocupações sobre a juventude contemporânea. Acredito no equilíbrio das duas facetas desses profissionais, mas esse equilíbrio está longe de ser alcançado por quem recém adentrou o mercado de trabalho; é bom o pessoal sempre estar de sobreaviso pelo menos.

  • http://www.haroldonobre.blogspot.com Prof. Haroldo Lemos

    A propósito, srta. Vanessa,recente matéria jornalística apontou o Brasil como “O País do Clonazepam”, isto é, do rivotril, cujo elevado consumo equipara-se ao da ritalina. Enquanto isso, só para não ficar esquecido, a CPI da pornografia infanto-juvenil,no início do ano, quase manda para cadeia os jovens e “pró-ativos” executivos da Google no Brasil, tendo por base o parecer da Polícia Federal de SP e do Ministério Público/SP que referiram, “in litteris”: “…a pornografia infantil no Brasil tem nome e esse nome é Google”. Tudo porque os moços acharam que a empresa cuja “camisa vestem” estava acima do bem e do mal. Que coisa!

  • http://www.midiaegestao.blogspot.com aline souza

    Oi Vanessa, estamos publicando vc como fonte de Geração Y utilizando o texto acima no nosso blog. Acesse e confira. Gostria de ter uma foto sua um pouco maior do que esta aqui do Minha Carreira para ilustrar a matéria. Obrigada. Att. ALine

  • Flavio

    Muito bom o POST, na minha empresa mesmo, rola isso o chefe lá quer que todo mundo saiba tudo pois isso justifica a não contratação de novos profissionais, e quanto ele contrata ele já de cara passa N livros para o cara ler e já pede resenha. No meu ponto de vista isso e muito errado pois cada um tem uma forma de aprendizado diferente.