“Não dá para fazer só o que a gente tem vontade!”

por Liliane Fonseca em 13/05/2010 na categoria Comportamento e Geração Y

“Não dá para fazer só o que a gente tem vontade!”

Ouvi a frase do título esses dias e tive que concordar, mas sinto que isso é bastante complicado para a Geração Y. Tem aquele bla bla bla de que somos mimados, tivemos de tudo, mas no dia a dia essa questão é muito mais profunda. Pode ser incômoda.

Temos dois cenários antagônicos: de um lado a sobrecarga de tarefas e responsabilidades nas empresas – nenhum jovenzinho é poupado pela falta de experiência, mas isso é assunto para outro texto – e por outro a imensa gama de possibilidades que os jovens possuem.

A variedade de opções pode tornar os jovens volúveis e infiéis (as empresas adoram falar assim de nós! rs), mas é preciso encarar que essa é a realidade da sociedade. Hoje os consumidores não assistem comerciais obrigados, eles buscam conteúdo e o que de fato os interessa. Essa mesma situação se dá na carreira da Geração Y. Buscamos o que nos agrada, o que nos diverte, o que nos acrescenta e o que possibilita que tenhamos outras atividades além do trabalho.

Não sei se sou diferente da maioria, mas sinto que sou muito inquieta. Hoje eu sou trainee, como planejei e trabalhei muito duro para alcançar, mas já começo a pensar em abrir uma empresa de redes sociais e a investir meu tempo livre em outras atividades. Maluquice? Talvez, mas sinto que não estou sozinha.

Dizer que o “problema” é da nossa geração me soa superficial demais, afinal nascemos e crescemos no mundo que as gerações anteriores deixaram para nós. Criticar é muito fácil, mas vivenciar os altos e baixos de uma geração ansiosa e veloz é outro papo.

Talvez o próximo passo seja entender as pessoas e as gerações dentro de um contexto, dentro de uma sociedade que muda e se renova a cada dia, mas como isso é muito complexo, vou priorizar os planos da minha empresa de redes sociais ;-)

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Sobre o autor:

Liliane Fonseca é formada em Comunicação Social com habilitação em Publicidade pela Universidade Federal Fluminense. Atualmente é Junior Manager de Recursos Humanos na Danone Brasil e é autora dos blogs Lili Trainee e Trainee 2010. Participa do Minha Carreira desde abril de 2009.
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Comentários

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  • Gabriela em 13 de maio de 2010 às 9:24

    Oi Liliane, bom texto. Aliás, é o que vivo hoje. Acabei de ser nomeada encarregada do MKT de uma empresa e fico pensativa se é isso mesmo que eu quero. Já que caminho tanto para as novas mídias. Porém a carga de ser formada e cursar uma pós me fazem pensar todos os dias do que é mesmo que sonho pra mim. Com isso vem a vontade de ir além, sair da mesmice ou do “pensar pequeno” de algumas empresas e ir um pouco além. O que como vc mencionou, é chamada de infidelidade a empresa. Mas permanecer na zona do conforto é ser infiel com nossos sonhos e metas.
    Ou seja, não da para fazer só o que temos vontade, mas sonhar ainda nos é permitido!!

    Parabéns pelo texto.
    Abraços
    Gabi

  • Joseph em 13 de maio de 2010 às 18:21

    Olá Liliane,

    O que você escreveu é bem verdade:”…entender as pessoas e as gerações dentro de um contexto,dentro de uma sociedade que muda e se renova a cada dia…”.
    Aqui para estes lados, com a crise instalada, despedimentos colectivos,empresas na falência, mais vale ter um trabalho de que não se gosta do que não ter emprego nenhum.
    Jovens que se licenciaram recentemente e pessoas de 40 e 50 anos que foram despedidas, não conseguem arranjar um emprego.Este é o contexto.
    Felizmente eu trabalho por minha conta e até agora as coisas têm corrido bem. Daqui para a frente já não sei.
    Tenho a sorte de me levantar de manhã e sentir-me bem, porque vou para o meu escritório trabalhar naquilo que gosto. Espero que as coisas melhorem, mas está difícil.
    Você que tem um sonho,uma ideia não demore,avance! O nosso poeta António Gedeão escreveu estes versos que talvez ajudem:”Eles não sabem,nem sonham,/que o sonho comanda a vida./Que sempre que um homem sonha/o mundo pula e avança/como bola colorida/entre as mãos de uma criança.”
    Parabéns pelo texto e Felicidades!

  • Denis Ferrari em 20 de maio de 2010 às 1:06

    Oi Liliane,

    Concordo com os pontos que você abordou no seu texto, realmente a Geração Y é mal interpretada em alguns aspectos.

    Hoje, conseguimos inverter os valores que o mercado definia. Não é somente o funcionário que tem que ser bom para a empresa, a empresa tem que ser boa para o funcionário, e essa inversão de poder incomoda muito os gestores mais “conservadores”.

    Desafios, ambiente inovador, comunicação e valorização do profissional são as moedas do momento, qualquer gestor que não entender isso está fadado ao fracasso.

    No momento em que estamos adaptação e velocidade são muito importantes, qualquer gestor que não se adaptar ao novo modelo de funcionário não conseguirá os resultados que o novo modelo de cliente exige.

    Abraços!

  • Anna Luyza em 1 de junho de 2010 às 18:17

    Me identifiquei muito com seu texto, Liliane, inclusive sobre o projeto de redes sociais, que também tenho rsrs
    Realmente há em nós uma inquietação que é avassaladora e que estava presente em poucos das gerações anteriores. Estava vendo hoge uma entrevista do Ted Turner, fundador da CNN no canal da HSM, a impressão que dá é que ele era da nossa geração quando da nossa idade. Realizador, inquieto e com uma vontade absurda de sempre fazer mais. É isso que nos move, fazer mais.
    Vejo que, muitas vezes, não é exatamente a motivação pelo retorno financeiro que nos move, mas a vontade de realizar, de sentir que você algo transformador.
    Parabéns pelo texto!

  • Felipe em 9 de junho de 2010 às 20:22

    Liliane,

    Acho bacana ser uma pessoa inquieta, eu também sou um pouco assim, com gene de Da vinci. Mas concordo com a opinião de uma amiga no post acima, às vezes temos que fazer o que tem de ser feito (questão de sobrevivencia ou momento) . O que aprendi nesta até aqui, é que temos momentos na vida para tudo. Lembro-me de quando trabalhava para outras pessoas, insatisfeito, mas tive que segurar para em um momento achar a oportunidade.

    Hoje trabalho por conta propria igual a colega, tenho vontade de começar um monte de coisas, mas tenho que admitir, há limitações de tempo, verba ou oportunidades.

    Para uma pessoa inquieta como eu (e você) estou aprendendo a Paciênca…. Há amiga, essa ai é dificil de ter quando queremos fazer muitas coisas para ontem…

    Sucesso!

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