Qual é a imagem de sua carreira: um trilho ou um mapa?
por Edson Carli em 06/05/2010 na categoria Carreira e Desenvolvimento Profissional

Quando você pensa em sua carreira profissional, qual é a imagem que melhor poderia representá-la: um trilho ou um mapa? E quando você pensa no papel que executa e na responsabilidade para alcançar o seu sucesso, você se considera passageiro ou condutor da sua vida?
Muitos profissionais almejam crescer em suas carreiras com flexibilidade e liberdade de escolher seus caminhos, ou seja, ser comandante de sua carreira e conduzi-la de acordo com o mapa de suas ambições. Porém, o que mais se observa nas grandes organizações são profissionais de vários níveis esperando passivamente que a empresa forneça o plano de carreira, o plano de desenvolvimento e as oportunidades de sucesso como se fosse ela (a empresa) a única responsável pela evolução e amadurecimento de seus profissionais.
Tanto o mercado de trabalho como os profissionais estão mudando a forma de ver a relação capital e mais do que nunca o conceito de emprego está sendo substituído pelo conceito de empregabilidade onde o profissional “vende” seu conhecimento para a empresa ou empresas onde ele possa atuar e pelo tempo que esta relação tiver uma relação de custo benefício favorável a ambos.
Certamente, como em todo o momento de mudança, existem conflitos e adaptações que serão necessárias, como por exemplo os profissionais que acostumamos denominar como geração Y que saem de suas formações acadêmicas com planos de ascensão meteórica (diretor geral em cinco anos saindo de trainee) e liberdade total de horários e compromissos que ao adentrar em empresas conservadoras, sobretudo as grandes empresas da velha economia e descobrem que seus superiores reconhecem como valor, além do seus conhecimento e entusiasmo, coisas mas básicas como pontualidade, respeito a hierarquia, valorização da cultura e outras tantas que não tem equivalência na ansiedade dos novos.
Os profissionais passam a ser na verdade, empresas individuais e como tal devem observar seu “mercado” estando atento para os desejos de seus clientes. Clientes que na verdade são stakeholders como o chefe, o colega, o chefe-do-chefe e assim por diante. Ou seja, cabe ao profissional adquirir cada vez mais competências, tanto humanas quanto técnicas, de forma a tornar-se um produto diferenciado e desejado pelo seu público consumidor: Entender a si mesmo como uma unidade de negócios e suas competências como produtos.
Estar no comando de sua carreira traz ao profissional infinitas possibilidades de rumos a seguir e, junto a esta liberdade, traz a responsabilidade pelas ações e resultados das decisões tomadas. Um programa de autogestão de carreira orienta os profissionais na criação de uma estratégia de carreira, entendendo quais as expectativas da empresa e como atendê-las, gerando valor final.
Assim como o conceito de emprego se alterou, o conceito de retenção também que agora passa a não ser mais uma questão de política da empresa. Se as pessoas tem ambições diferentes e capacidade de reposicionamento em função da empregabilidade, a retenção dos profissionais mais importantes acontecerá quando os gestores de recursos humanos forem capazes de associar as expectativas da empresa para com o indivíduo no quesito resultado, valores, ética e sustentação, com as expectativas do individuo para com a empresa como aprendizado, realização pessoal, crescimento e qualidade de vida.
Ao adotar o programa de autogestão de carreira, a empresa propicia a seus profissionais diferenciados uma poderosa ferramenta de planejamento, pois estreita o vínculo com estes profissionais ao investir em sua formação como pessoas, ao mesmo tempo em que racionaliza os investimentos em formação e desenvolvimento destes profissionais.
Quando o profissional possui uma compreensão mais apurada de suas características, entende que sua relação com a empresa deve estar calcada na sua capacidade de agregar valor.
E compreende também que seu desenvolvimento profissional será originado de uma parceria onde ele como profissional é responsável por 70% do esforço e o restante é de responsabilidade da empresa. E é assim que se obtém uma relação muito mais efetiva de investimento e retorno nas áreas de treinamento e desenvolvimento.
Por algum tempo, iremos continuar vendo empresas com planos de carreira em forma de trilhos, programas de capacitação pasteurizados, políticas de retenção baseadas na igualdade dos indivíduos e demais coisas que nos trouxeram até aqui, mas, estas empresas estarão fadadas ao meio da cadeia produtiva, geralmente executando parte do processo produtivo de outras ou servindo de componente no plano de negócios de quem realmente vai dominar o mercado.
Quanto aos profissionais, sempre existirá espaço para aqueles que pretendem seguir o caminho desenhado e vez por outra tomar sustos com a ameaça de cortes em tempo de crise, mas, para aqueles que querem realmente segurança e crescimento será fundamental assumir o comando de suas carreiras e vidas.
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