Daruma e as nossas metas
por José Jayme Junior em 03/05/2010 na categoria Carreira e Comportamento
Entre os séculos V e VI d.C., existiu um guru indiano cujo nome de nascimento era Bodaitara, mais conhecido como Daruma. Nascido em uma casta de guerreiros, teve desde cedo suas aptidões para a prática da religião Buddhadharma reveladas pelo brâmane Hannyatara. Contudo, só após a morte de seu pai, o jovem Daruma seguiu os preceitos do brâmane, permanecendo junto ao seu mestre por cerca de 40 anos, até amadurecer sua ligação cármica com a China e assim viajar para esse local para transmitir seus ensinamentos religiosos.
Depois de uma longa viagem, o aprendiz instalou-se no Templo Shaolin Shorin-ji, onde iniciou um longo processo de meditação para descobrir a verdade sobre a vida. Após varias tentativas, decidiu sentar-se de frente à parede do templo e prosseguiu em seu processo meditativo. Um ano decorrido e nada de obter suas respostas. Daruma então resolveu mutilar as próprias pálpebras, o que o impedia de adormecer durante suas meditações. Seguiu sentado em busca do Gama verdadeiro.
Os anos se passaram e ele persistia, tendo, inclusive, suas pernas atrofiadas devido ao desuso. Ao nono ano de meditação, finalmente ele chegou ao estado de Nirvana almejado, conhecendo sobre a verdadeira essência da vida. Suas pregações e ensinamentos levaram-no a fundar a doutrina Zen Budista. O Zen Budismo foi levado ao Japão no início do século XII. Mais tarde surgiram os primeiros bonecos DARUMA, imitando a mesma posição sentada na qual Daruma-San meditava.
Os bonecos são encontrados em qualquer loja de suvenir japonês. Possuem um peso na parte de baixo, que confere a eles um efeito de “João bobo”, para que possam levantar-se imediatamente mesmo estando em posição de queda. O fato de o Daruma não cair representa a persistência na busca pelos nossos ideais. Os bonecos vêm sem os olhos, devendo ter um deles pintado quando almejamos um objetivo. O outro olho só deve ser pintado quando tal objetivo for alcançado e o boneco, guardado como forma de gratidão.
Gosto da ideia do boneco Daruma porque, diferente de outros talismãs, ele não traz uma visão mágica dos desejos, e sim um incentivo à garra, à perseverança e à luta pelos nossos objetivos. Muito mais do que sonhar em atingir aquela meta agressiva, a concretização somente dependerá de esforço.
Por vezes vemos um funcionário passivo, preferindo fingir-se de morto até que a tempestade acabe. Se essa tempestade não for enfrentada pelo responsável direto, outro surgirá para fazê-lo. Infelizmente muita gente ainda acredita no poder mágico da ignorância para solucionar problemas. O esforço, antecedido da iniciativa, é a ferramenta necessária para a conquista das metas. O quanto você se esforça pelos seus objetivos?

