Quando a vontade de empreender vem da frustração profissional

por Beatriz Carvalho em 15/03/2010 na categoria Carreira e Empreendedorismo

Quando a vontade de empreender vem da frustração profissional

Já ouvi, e também conheço pessoalmente, uma série de histórias de profissionais que se aventuraram em jornadas empreendedoras pós-frustrações no mercado corporativo. Daqueles que conheci, 100% dos casos eram de profissionais que se destacavam em suas empresas, semelhantes no perfil ideológico de encarar o trabalho, diferenciados pelo olhar focado no futuro e em uma dimensão que sempre envolvida a empresa como um todo. Particularmente chamados pelos teóricos de intra-empreendedores.

Intra-empreendedor é o profissional que atua em uma empresa, mas suas atitudes em relação a ela são tomadas como sendo seu próprio negócio. É peça fundamental neste cenário, pois sua ousadia inspira inovação e sua determinação torna-se o combustível de uma busca incessante por resultados. É o profissional que toda empresa quer ter, mas nem todas elas estão utilizando os recursos necessários para atraí-los ou retê-los.

A Geração X é a que mais se assemelha a este perfil. Na faixa entre os trinta a quarenta anos, serão eles os líderes nas próximas duas décadas. Caracterizados pela busca de sua identidade, os profissionais dessa geração que estão tendo dificuldades em se adaptar à nova rotina “descartável” das empresas, onde a Lei da Mais-Valia substitui um “X” por um “Y” e por um custo menor, somados a sua rápida capacidade de obter planos B, partem para uma jornada empreendedora para tentar encontrar o que não lhes foi oferecido no passado.

O ponto que gostaria de destacar neste texto não é o surgimento de novos empreendedores e como isto acontece, até porque isso é algo muito bom, pois mostra a capacidade de alguns profissionais de se readaptar ao cenário corporativo que muda constantemente. O fato é que estes intra-empreendedores da Geração X são fundamentais não só para o aumento da competitividade nas empresas, mas também para nós Y que precisamos tanto de referências boas e líderes que nos ensinem a cultivar um ambiente empreendedor e de inovação.

Tudo aquilo que as pessoas se consideram como donas, responsáveis, há sempre uma probabilidade maior de que este será bem cuidado. Tenho certeza de que se este sentimento fosse repassado a mais pessoas dentro das organizações, hoje em dia teríamos profissionais mais engajados em suas tarefas e motivados a trabalhar por um bem comum a empresa a qual representam.

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Sobre o autor:

Beatriz Carvalho é estudante de Relações Públicas e worklover assumida. Acredita na comunicação e no relacionamento como estratégia agressiva de negócio, por isso atua há 3 anos com pós-venda. Carimbou em fevereiro de 2010 seu passaporte rumo às discussões do Minha Carreira.
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Comentários

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  • Jose Jayme dos Santos em 15 de março de 2010 às 10:15

    No outro extremo vemos aqueles funcionarios que trabalham dia a dia na espera do salario do fim do mes, com uma otica de justica sempre do ponto de vista do injusticado, pobre coitado, moribundo, que sempre enxerga a empresa onde trabalha como um pilar autoritario e que pisa em seus subordinados. O mais engracado e que vemos no mesmo departamento, as vezes na mesma ilha de trabalho, um intra-empreendedor como retratado nesse texto, motivado em achar solucoes mais rapidas e economicas para as tarefas do dia a dia. Fica evidente quem esta no caminho certo da carreira.

  • Diego Homem em 15 de março de 2010 às 10:57

    Acredito que a relação Empresa x Empregado se mantém pela existência de interesses mútuos, não apenas financeiros como também ideológicos, processuais e tantos outros.

    Quando esses interesses deixam de ser os mesmos, no caso dos intra-empreendedores a empresa não vê o trabalho dele com os mesmos olhos, é natural que os encomodados busquem outra forma de desenvolver suas ideias.

    Acredito que todo esse processo é muito saudável, pois nem toda empresa tem como característica aceitar opiniões de seus empregados, e nem todos os empregados tem essa iniciativa empreendedora.

    @Jayme – Parece estranho para nós que existam pessoas que estão apenas interessadas no dinheiro ao fim do mês, mas elas existem, e aos montes! O que particularmente não acho errado, algumas pessoas possuem outras prioridades na vida, carreira nem sempre está no topo da lista.

    Parabéns pelo texto!

  • Paula Carina de Araújo em 16 de março de 2010 às 2:16

    Olá Beatriz, ótimo texto!

    Considero-me privilegiada, pois tive a oportunidadee de encontrar alguns desses intra-empreendedores que me ajudaram muito e com seus exemplos despertaram a vontade de ser como eles. Esse é um dos pontos a ser levado em conta para o sucesso na carreira.

  • Gustavo Loss em 22 de março de 2010 às 15:13

    Beatriz,

    Concordo com seu ponto sobre a importância dos intra-empreendedores nas empresas, e de fato as organizaçãos muitas vezes não estão estruturadas para identificar e valorizar estas pessoas.

    Gostaria porém de chamar a atenção em relação às motivações para empreender, não acho que a frustração profissional seja uma boa razão. Embora seja muito comum, não é uma boa idéia iniciar um grande projeto pessoal com objetivo de resolver um problema. Se alguém resolve abrir sua própria empresa, entrar na vida acadêmica ou fazer um concurso público, deve ser porque isto está alinhado com seus objetivos de vida e carreira. Se for porque acha que ganha pouco, trabalha muito, não gosta do chefe,não é valorizado, etc a chance de fracasso é grande. Para não cair nesta armadilha é importante o autoconhecimento para sabermos quais são nossas motivações sinceras.

    Abraços,
    Gustavo Loss
    http://pontodevistagustavoloss.blogspot.com
    http://umcavalheirocomentasim.blogspot.com

  • Linaldo Oliveira Jr em 15 de abril de 2010 às 8:41

    estou com algum tempo para ler esta manhã, e me deparei com o site.
    A matéria da Beatriz me atingiu em cheio. Recentemente deixei uma grande empresa para montar meu negócio. Estava pensando os motivos que me levaram a isso, e entre outras respostas, o texo acima descreve prefeitamente o sentimento de entrada no desafio do mercado e os sentimentos que acompanham o nascimento dessa idéia e sua concretização.
    Parabéns, você (Beatriz) não poderia ser mais assertiva.

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