O que acontece quando não acontece?

por Liliane Fonseca em 23/02/2010 na categoria Comportamento e Geração Y

O que acontece quando não acontece?

Pedro tem 21 anos e está no último ano da faculdade. Adora a empresa onde trabalha e tem grandes expectativas de ser efetivado quando se formar. Durante uma aula, teve uma ideia que logo associou a um projeto do trabalho. Ao chegar em casa nem abriu o MSN, foi direto para o Excel fazer um cronograma e uma apresentação do projeto no Power Point. No dia seguinte, no trabalho, mostrou sua ideia com muita empolgação para alguns colegas, que a acharam brilhante, e logo foi conversar com seu gestor. A receptividade também foi positiva e a implementação do projeto dependia apenas da aprovação do diretor da área. Pedro foi para casa já pensando nos desdobramentos do projeto, muito animado e ansioso. No dia seguinte soube que não foi aprovado por não ser prioridade dentro do orçamento.

Nem preciso dizer como nosso personagem se sentiu. Frustrado, muito frustrado.

Lidar com a frustração é um aprendizado contínuo para qualquer pessoa. Não é porque alguém é mais experiente que não tem esse sentimento quando algo não ocorre como o esperado, mas para a Geração Y, esse sentimento pode ser mais complexo.

Levando em consideração o histórico dos Y, que eram sempre reconhecidos e recebiam aprovação por qualquer coisa que faziam, um “não” pode ser catastrófico, mas é inevitável quando se encara o mercado de trabalho. E como lidar com essa terrível sensação?

Já sabemos que chorar, espernear ou pedir demissão não adianta. Essa última reação muitas vezes é o primeiro impulso nessas situações, mas é preciso ter uma boa dose de bom senso e maturidade para enxergar que o mundo não se resume àquele problema. É um exercício que precisamos praticar e me incluo nesse grupo. Às vezes temos tantas ideias que esses “obstáculos corporativos” parecem um grande balde de água fria nas nossas cabeças revolucionárias. Dá vontade de largar tudo e viver de… blogs, quem sabe.

Nessas horas amadurecemos. Vamos aprendendo a lidar não só com o mundo exterior, mas principalmente com nós mesmos.

Depois do possível choro, do desabafo no banheiro e de desistir da demissão, o importante é tentar enxergar as razões pelas quais as coisas não ocorreram como era esperado, respirar fundo e não perder o pique. E, se você realmente acreditar que sua ideia é viável, pense em outras formas de fazer acontecer, ou então parta para o próximo projeto. Ideias não faltam, tenho certeza.

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Sobre o autor:

Liliane Fonseca é formada em Comunicação Social com habilitação em Publicidade pela Universidade Federal Fluminense. Atualmente é Junior Manager de Recursos Humanos na Danone Brasil e é autora dos blogs Lili Trainee e Trainee 2010. Participa do Minha Carreira desde abril de 2009.
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Comentários

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  • Robson Garcia Formoso em 23 de fevereiro de 2010 às 15:40

    Liliane, muito bom o post. Bom mesmo. Gostei do conto tb, principalmente a parte onde a adrenalina era tanta que Pedridnho nem abriu o MSN. HAhahaha.
    Apenas uma topada, “obstáculos corporativos”. As vezes a empresa erra mesmo e deixa grandes ideias escorregarem entre os dedos. A topada foi apenas o esquecimento de uma coisa.
    Se uma boa ideia não foi aceita ou a empresa errou ou a ideia não era tão boa assim. ;)
    Frase para fechar o comentário: Bata rápido e bata com força.

  • Making of de um texto « Lili Trainee em 23 de fevereiro de 2010 às 23:49

    [...] chama “O que acontece, quando não acontece?” e foi publicado no Minha Carreira. Fala sobre frustração, e obviamente foi inspirado em [...]

  • Ivan Amorim em 24 de fevereiro de 2010 às 1:06

    Liliane, não costumo comentar em blogs, só quando gosto muito.. e esse post foi excelente, me vi na situação e lembrei de muitos que já passaram por isso.
    Concordo plenamente com você, Parabéns…

  • Edson Cavalcante Junior em 24 de fevereiro de 2010 às 12:18

    Olá Liliane, assim como Pedro, também tenho 21 anos e já passei (e passo) por muitas frustrações nesse sentido, apresentar algum projeto inovador e não ser aprovado. Trabalho em RH, sou analista de RH e atuo na área de Desenvolvimento & Projetos de RH. Eu mudei a estratégia e talvez possa servir como dica para quem passa por isso. Como é sempre o Diretor da área que aprova os projetos maiores, digo a Gerência que quero participar da apresentação ao Diretor, e por mais que não seja aprovado, a frustração é menor, pois conversando diretamente com ele, e ouvindo dele qual o real motivo da não aprovação do projeto.

    Realmente, a geração Y sofre com a geração X. Almejo o dia em que a Y estará no lugar da X e a Z no lugar da Y.

    Abraços,
    Edson Cavalcante Junior

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