A Geração Y e um novo gestor

por Liliane Fonseca em 04/02/2010 na categoria Geração Y e Gestão

A Geração Y e um novo gestor

Para a nossa geração, que não vê na hierarquia tradicional um modelo a ser seguido à risca, ter um novo chefe pode ser uma situação bastante complexa. Por mais títulos, experiência e credenciais que a pessoa possua, não é o bastante para conquistar o respeito e a admiração de um Y.

Já li em muitos textos que os Y precisam de um modelo para se espelhar. Alguém, gestor ou não, que os inspire a crescer e seja uma pessoal acessível e confiável. Eu concordo com essa afirmação e vejo que se aplica na minha vida. Fico feliz de ter alguém que eu admiro e posso contar para decisões profissionais, e para alcançar essa relação é preciso, além de um ótimo currículo, proximidade.

Quando nos deparamos com um novo gestor – aquele que irá acompanhar nossas atividades diárias e traçar as diretrizes para o nosso crescimento – mais do que uma pessoa que manda e toma decisões, precisamos de alguém que nos cative, escute e de fato demonstre interesse em trabalhar junto conosco. Isso pode soar um pouco paternal, e de fato é. Faz parte do “lado ruim” da Geração Y, que foi criada recebendo troféus por qualquer cama que fosse arrumada antes de ir para a escola.

Isso não quer dizer que os gestores devem ser babás, pelo contrário. Ninguém quer e nem gosta de ser tratado de forma infantil. Esse aspecto tem mais a ver com respeito, proximidade e confiança mútua, por parte do gestor em delegar e dar autonomia, e por parte do liderado que deve ter em seu líder uma fonte de respostas e também a tranqüilidade de questionar sem ser repreendido.

Tenho muito interesse na questão das gerações dentro das empresas e quase sempre concluo que a resolução de conflitos e a construção de uma boa relação devem ocorrer pelo diálogo, com o esforço dos mais velhos para falar a nossa língua e entender nossas limitações. Isso exige muita maturidade dos mais jovens para perceber que o mundo já está pronto e que nós devemos nos adaptar a ele.

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Sobre o autor:

Liliane Fonseca é formada em Comunicação Social com habilitação em Publicidade pela Universidade Federal Fluminense. Atualmente é Junior Manager de Recursos Humanos na Danone Brasil e é autora dos blogs Lili Trainee e Trainee 2010. Participa do Minha Carreira desde abril de 2009.
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Comentários

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  • Wellington Miranda em 4 de fevereiro de 2010 às 21:21

    Suas palavras mostram que os Y querem expulsar a frieza nas relações de trabalho chefe-subordinado. Muitos X também buscam isso, só que outros X não permitem. Independentemente da letra do alfabeto que melhor o represente, de A a Z, passando pelo X e pelo Y, a busca da proximidade, do calor humano na relação, o que chamo de emoção, pode ser a grande contribuição dos Y para os letrados e os iletrados em sua labuta díária nas empresas.

  • Geração Y, blogs, empresas… « Lili Trainee em 4 de fevereiro de 2010 às 21:50

    [...] ter paciência com a gente -, entendi o que aconteceu e mais uma vez confirmei o que escrevi em um texto que foi publicado hoje no Minha Carreira: “Isso exige muita maturidade dos mais jovens para [...]

  • Paula Carina de Araújo em 6 de fevereiro de 2010 às 14:09

    Parabéns pelo post Lili…não vejo essa características como um “lado ruim”, mas sim como uma forma de estreitar as relações e dessa forma melhorar as parcerias e a construção do conhecimento, melhoria dos processos…etc. Numa sociedade que busca inovação constante, é impossível não exigir proximidade e interação entre a equipe indepedente do cargo de cada um.

    Abraço

  • Prof. Haroldo Lemos em 7 de fevereiro de 2010 às 2:12

    Prezada Liliane

    Cada vez mais fico feliz ao perceber que o ambiente profissional ao qual pertenço está isento desse neologismo insuportável, mas já cristalizado, que se chama “gestão” e seus derivados (“gestores”, “choque de gestão” e congêneres). Não sei porque as faculdades de administração anda não mudaram de nome.No ambiente científico, que é, mercê de Deus, altamente hierarquizado, a figura do orientador (ou “head”) do laboratório ou departamento, ainda é, na maioria das vezes, inspiradora e acolhedora.E tanto isto é verdade que, não raro, esses orientadores (as), são carinhosamente chamados de “pai” ou “mãe” científicos.E atuam como tal, sobremodo quando o orientando vem de outro estado ou país. Eu poderia citar centenas de exemplos, mas não é o caso agora. Muito diferente é o que se dá no meio empresarial, ou “corporativo” se preferir,onde se é avaliado pelo quanto se produz ou rende (em dinheiro) e não pelo quanto se pensa e pelo “quantum” de conhecimento em prol da humanidade se gera.

    Sua experiência se dá em ambos os meios, acadêmico (ainda em desenvolvimento) e profissional (estágio). De todo modo, sua carreira está imersa em situações que envolvem os aspectos abordados em seu texto (perdoe a ignorãncia, mas não sei que diabos vem a ser este “Y”),todos voltados para o comportamento do “gestor” e, por isso mesmo, de suas idiossincrasias. Mas não deixe de lembrar que tal não se dá em todos os meios profissionais e as situações que você aponta longe estão de serem “paradigmas” (termo também da moda, que nem “gestor”).

    Sucesso e felicidades

    Prof. Haroldo Lemos.

  • alcione em 21 de abril de 2010 às 11:34

    Gostaria de saber como trabalhar com a geração y, dentro de uma empresa obedecendo normas. Que criterio podemos usar para trabalhar por um periodo prolongado?
    Não conheço muito da geração y, é a primeira vez que leio a respeito e me interessei, sou nascida em 83 e não me considero como voces.

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