Vocação: ser e nascer para ser

Vocação: ser e nascer para ser

O dicionário sintetiza o termo “vocação” como a tendência ou inclinação para um estado, uma profissão, a aptidão natural; o talento. Mas será que todo mundo nasce assim: médico nato, comunicador nato, mecânico nato e outros mais natos do mercado? Durante a 32ª edição do Workshop de Criatividade da ESPM de São Paulo, o Prof. José Predebon discutiu as ideias sobre a escolha profissional e seus desdobramentos. Centrou o debate principalmente na necessidade de ser criativo para reinventar a rotina e encontrar subsídios para as tarefas que não correspondem ao ideal que se tinha ao escolher determinada carreira

Discutiu-se que gostar do que se faz também não é garantia de sucesso, é relevante, mas não garante. Afinal, “fazer só o que a gente gosta é vender a um cliente só”. E é mesmo. É restringir ao máximo suas opções de escolha, e também de atuação profissional. É estar fadado a uma carreira que, ao longo do tempo, não vai satisfazer o âmago do ser humano que busca realização enquanto pessoa ativa na sociedade, com uma carência latente de algo indefinido, que muitas vezes é suprida com o sucesso profissional.

Não se nasce engenheiro, talvez haja amadurecimento que torne alguém predisposto para a área de exatas, por pura questão de educação cultural ou percepção de mundo. Assim como não se nasce padeiro, há circunstâncias e necessidades que impulsionam alguém para tal posição. Quando há a possibilidade de escolher uma profissão, o autoconhecimento é sempre a primeira chave. Logo depois, delimitar aquilo que lhe convém e descobrir sobre as possibilidades são tarefas também essenciais. É imprescindível aceitar que erros podem ocorrer. O gosto pela profissão não vem pela perfeição, é por acreditar que ela vale à pena. A busca pela excelência surge daquilo que acreditamos, e se você não acredita no seu trabalho, por que buscá-la?

Tudo isso também se aplica para a escolha de áreas, para quem pensa que escolher uma profissão é delimitar o futuro, engana-se. Ela apenas reduz, embora de forma significante, as possibilidades de escolha. Não importa se você acredita que nasceu para ser, importa é o que você é (ou escolherá ser). Envolver-se por inteiro naquilo que se faz, não é bem uma questão de gosto. É coerência, necessidade. E esteja preparado para os desafios. Serão muitos dissabores pelo caminho, que não é reto e muito menos plano. Mas aquela satisfação de saber que, apesar de tudo, você está na estrada certa, faz toda a diferença.

  • Igor Antunes

    Concordo plenamente com o texto da Danielle.

    É importante ter uma “afinidade” com determinada vocação, mas apenas gostar de desempenhar algum tipo de ação não quer você está apto a fazer a mesma.

    Em qualquer profissão mesmo que goste de executa-la é necessário se especializar sempre, ou seja, é necessário aprender antes de desenvolver. Aprendemos a fazer e com gosto por determinada ação ou profissão, passamos a ter acessos mais fáceis á uma carreria de sucesso.

    Sendo assim, o gosto por uma vocação é mais um atributo do desenvolvimento profissional enão uma acomodação.

  • http://www.adoramosfeedback.blogspot.com Amanda Meyer

    Adorei Danielle…
    com certeza o conjunto gosto pela “coisa” + estudo + afinidade/facilidade é o conjunto que leva ao SUCESSO…

    BEIJOS

  • Maxsuel Siqueira

    Olá, Dani!
    Gostei do trechinho: “(…) Assim como não se nasce padeiro, há circunstâncias e necessidades que impulsionam alguém para tal posição”. A coisa mais legal do tema que você aborda aqui é que nos faz refletir sobre nossa posição atual no mercado. Os leitoras do “Minha Carreira” certamente trabalham. Eu mesmo, que precisei revisar meu currículo há pouco, gosto de analisar o caminho que percorri. É claro que todos ambicionam o crescimento constante, embora poucos busquem isso com afinco. Mas, como alguém aqui já citou antes, há pessoas que se mostram contentes, adaptadas, a fazer aquilo que fazem atualmente. Muitos devem conhecer pessoas assim. Geralmente elas não têm um trabalho que invejaria uma elite de mercado, mas estão lá! Isso leva a outras discussões e questionamentos. Sem contar que cada um age conforme sua filosofia de vida. Alguns buscam muito. Outros se satisfazem com o “suficiente”. Sabemos que há mercado, nas duas vias (trabalho e produtos), para todas as classes. E que a diferença de classes aqui nas terras de Santa Maria talvez seja nosso maior problema e a principal forma de discriminação social. Raça, credo, orientação sexual, lugar de origem… tudo isso vem depois de saber quanto o sujeito ganha. Isso faz toda a diferença. Apesar de tudo isso, como diz um amigo, o capitalismo, ao menos, faz com que exista desde o cientista que produz a cura pra tua doença ou o “cara” que desenvolve a tecnologia do celular que você usa, como o pedreiro que faz a reforma na sua casa e o padeiro que faz o pãozinho que você come no café. Se estes deixassem de existir o que seria dos demais? “Todo trabalho é digno” – já dizia minha avó. Agora, se você tiver de escolher entre ser Gari e Executiva (o) de uma Multinacional, qual você prefere? Percebam como este assunto é complexo e como cada ponto de discussão abre um novo. O trabalho que fazemos tem grande peso na definição de nosso “status quo” na sociedade. Então não trata-se apenas de uma questão de escolher fazer aquilo que gosta. Quando se pode juntar os dois (o que gosta e o que dá grana), aí é maravilha! -como diz um professor. Enfim, penso que escrevi demais. É que gosto do tema. Daria laudas de pensamentos, mas deixo pra vocês brincarem um pouco mais.

    Abraços a todos!

  • Maxsuel Siqueira

    Retificando:
    “Os leitorEs do “Minha Carreira” certamente trabalham”.

  • http://www.haroldonobre.blogspot.com Prof. Haroldo Lemos

    Salve Dani e Maxsuel, bom texto e bom comentário. Me fez lembrar a máxima do poeta espanhol Antônio Machado (1875-1939) que assim referiu: “Caminante no hay camino,se hace camino al andar…”, ou como ficou mais conhecida a citação: “…lo camino hace al caminar”.Irretocável. Foi exatamente o que se deu comigo.Meu 1º emprego foi como ator, depois professor.Mais tarde, cientista e, de novo, professor. O importante é que tudo o que fiz, fiz de modo apaixonado, quase despudorado. Penso ser esse o ponto. Não é tanto vocação, mas dedicação, etabelecer vínculo emocional com o que se faz. Seja lá o que for, ou por qual razão for.

    Felicidades e sucesso a todos.