Fuja do Comportado Malicioso
por Guilherme Tossulino em 24/11/2009 na categoria Comportamento

Há dois meses tive aula com um professor de matemática financeira no MBA que me ensinou muito mais que calcular juros e entender o balanço financeiro de projetos. Moises Spritzer passou experiência de vida e de carreira, da fábrica de colchões à superintendência da Caixa Econômica Federal, foram muitas histórias e uma que me chamou atenção foi sobre o “Comportado Malicioso“, que é tema deste post.
O Comportado Malicioso segue o regulamento, cumpre o horário e respeita todos os protocolos. Entretanto, é rígido e utiliza as regras para exercer sua superioridade e por em prática toda sua malícia. Geralmente insatisfeito com o trabalho e até mesmo com a vida, está sempre pautado pelas regras e normas. Faz o “certo”, que nem sempre é o mais certo. É difícil encontrar uma falha ou um erro em suas ações. Se ele é seu subordinado, cuidado! Se ele é seu chefe, fuja!
Ele está em todos os lugares. Esse tipo polui os ambientes organizacionais com arrogância e indiferença. Quem nunca trabalhou com um colega que não estende a mão para atender um telefone porque isso não é sua função? Ou então aquele chefe que não envia o e-mail solicitando sua merecida folga porque email está fora do padrão? Ou ainda aquela recepcionista que te deixa esperando duas horas porque não foi com a sua cara e não “pode” interromper o chefe?
Os exemplos de profissionais que fazem das regras instrumentos de malícia são inúmeros e é preciso ter cuidado com eles, pois se não simpatizam com você ou querem mostrar que tem poder, podem derrubá-lo da maneira mais “correta” possível, como num plano perfeito. As organizações, em geral, têm muita dificuldade para lidar com esse tipo de profissional. Demoram para identificá-lo e, quando isso acontece, a demissão é difícil de ser justificada, pois ele é “comportado”.
Aprendi com Rita Guarezi, que é mais fácil adequar e preparar um profissional com baixo conhecimento técnico do que um profissional com problemas comportamentais. Comportamento e conduta não se aprendem de um ano para o outro, mas sim durante toda a vida. É uma construção lenta da personalidade e é muito difícil isso ser mudado por uma empresa ou por um líder, mesmo que esses estejam preparados.
Portanto, procure sempre trabalhar suas competências comportamentais em equilíbrio com as competências técnicas. Ser um gênio em conhecimento e ser insuportável para os outros não adianta. Há espaço para os extremamente técnicos, porém as oportunidades são mais restritas. Autoanálise, acompanhamentos psicológicos comportamentais e avaliações ajudam a identificar o que precisa ser melhorado. Diferentemente do que muitos pensam, isso é muito importante e cada vez mais tem sido valorizado pelo mercado de trabalho.
