Você não vai com a minha cara?

por Maxsuel Siqueira em 20/10/2009 na categoria Geração Y

Você não vai com a minha cara?

Cada um de nós tende a ver as coisas de um modo diferente. Isso se deve à nossa formação, vivência, cultura e personalidade, que se constituem nas diferenças individuais. Elas são nossa marca registrada e a imprimimos em tudo que fazemos: na maneira como elogiamos ou criticamos, no modo como avaliamos as outras pessoas, nos relacionamentos com a família, amigos etc.

Em geral, o ambiente de trabalho, seja ele uma fábrica, um escritório, uma loja ou uma repartição pública, representa um microcosmo da sociedade. Reúne, portanto, uma parte desse todo que é heterogêneo, disforme e plural. Com isso, todos os dias temos de conviver com pessoas completamente diferentes de nós.

É difícil aceitar a diferença e as antipatias são constantes no mundo corporativo. Já não bastassem as de gênero, raça, credo, etnia, idade e orientação sexual, o choque de gerações é o novo desafio que está tirando o sono (até mesmo) dos líderes mais experientes. É comum encontrar um jovem Y bem qualificado, dinâmico e talentoso fazer com que qualquer veterano X “trema na base”, provocando insegurança e colocando o outro na posição de autodefesa.

Neste ponto, nós da Geração Y, somos vistos como mais tolerantes, uma vez que o diferente nos desperta curiosidade; e não repugnância. Entretanto, impressiona o fato de que já se passaram quase seis séculos desde o fim da Idade Média e ainda não aprendemos a lidar com o próximo, conviver em sociedade e a respeitar diferenças. Por isso é que nas ruas, nos terminais rodoviários, nos restaurantes, aeroportos e em estações de metrô, há avisos que nos condicionam à civilidade como “Reduza a Velocidade”; “Por Favor, não fume”; “Silêncio!”; “Caixa exclusivo para idosos”; entre outros.

O mercado de trabalho possui regras próprias de comportamento que variam de acordo com os valores da empresa para a qual prestamos serviços. Nesse contexto, relacionamento profissional é muito mais do que um bom tema para vender revistas sobre carreira. É falar da importância e necessidade da retomada de algo que se dilui lentamente: a dimensão humana sobre todas as coisas. Charles Chaplin já nos alertava sobre isso nos anos 40, em seu primeiro filme falado, “O Grande Ditador”, quando discursou que mais do que máquinas precisaríamos de humanidade.

Fica a proposta. Num cenário em que a palavra criticar tornou-se sinônimo de “falar mal” e onde competição é encarada como combate, empenhe-se em fazer o melhor que você puder sem que seja necessário prejudicar alguém. Procure desfrutar das oportunidades que lhe surgirem, qualifique-se, ouça, questione, aprenda com os outros, mesmo com aqueles que ocupam uma posição inferior na empresa.

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Sobre o autor:

Maxsuel Siqueira é estudante de Comunicação Social pela Universidade Gama Filho. Colabora com a TV Gama, como pauteiro e produtor do programa "Mosaico" (UTV, canal 11 NET/Rio), e é repórter/produtor da Rádio Roquette Pinto. Tá aqui no MC desde julho/2009 (http://twitter.com/jomax5).
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Comentários

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  • Paula Carina de Araújo em 21 de outubro de 2009 às 23:19

    Se as pessoas percebessem que as diferenças enriquecem a convivência e as possibilidades de crescimento coletivo, não teríamos tantos conflitos nas organizações e então, o conhecimento, a inovação e o respeito estariam presentes sempre, o que sem dúvidas resultaria em benefícios para todos.

    Parabéns pelo texto!

  • Sebastiao Vianna Sousa em 26 de outubro de 2009 às 11:22

    A cada dia que passa percebemos isso na tão cruel sociedade em que vivemos. São exemplos da desigualdade social, racial, dentre várias outras. Cada vez mais a população não dá espaço para a diferença, não sabem conviver com o defeito do outro ou até mesmo com a qualidade. Estão sempre buscando algo que nem elas mesmo sabem o que é. A palavara já fala por si só: “diferença”. Se fôssemos todos iguais não teria a menor graça aprender ou até mesmo ensinar. A melhor escola é a vida. Parabéns, Max!

  • Otavio Paulino de Siqueira em 28 de outubro de 2009 às 16:54

    Só tem sucesso na vida aqueles que sabem lidar com as diferenças, pelo contrário estão derrotados. A ignorância e o orgulho são sinônimos de imcompetência. Há pessoas que dizem que pra se dar bem na empresa, nos negócios e na escola devemos entrar no “sistema”, mas não acho isso correto. Devemos nos orgulharmos do nosso ponto de vista e defendé-lo até o último recurso, mesmo que esteja errado. Não devemos desprezar nunca o ponto de vista dos demais, pois somos seres pensantes e temos o direito universal de sermos diferentes. Um grande abraço, Max. PARABÉNS…

  • Prof. Haroldo Lemos em 28 de outubro de 2009 às 18:01

    Como de hábito, você foi preciso ao encontrar o “nó górdio” das relações interpessoais no ambiente profissional. Mas o fato é que, não de hoje, seguramente desde a década de 1980, as empresas das américas (não da Europa) absorveram o “modus operandi” estadunidense no qual cada um é “adestrado” a ver seu colega como competidor. Nada fizeram de novo os senhores do capitalismo selvagem que hoje agoniza, sobremodo, nas terras do “tio Sam”. Apenas acirraram de modo tecnicista a tendência natural do ser humano em buscar para si e para os seus o que há de bom. E a ética…ora, a ética!

  • Mare em 28 de outubro de 2009 às 18:34

    Seria muito bom se todos soubessem conviver com as diferenças. Elas são necessárias e nos ajudam muito a melhorar cada dia mais. Infelizmente a maioria só sabe rotular! Parabéns, Max …
    Adorei o texto! :)

  • Socorro Vecino em 29 de outubro de 2009 às 0:30

    Oi, Maxsuel!
    Adorei a sua mensagem. Continue em frente com a sua carreira. Parabéns!
    Um cheiro.
    Socorro

  • Maria Luiza Revoredo em 29 de outubro de 2009 às 0:32

    Gostei! Bem legal o post. É isso mesmo. Post super verdadeiro. Vlw mesmo. bjão!

  • Alex Mon em 29 de outubro de 2009 às 1:44

    Você tocou numa questão importante. A intolerância e a falta de compromisso com a equipe comprometem qualquer estratégia organizacional. E não pense que no serviço público esta atmosfera é mais branda. Várias vezes, recebi vários bilhetes de analistas e agentes judiciários denunciando possíveis falhas uns dos outros, numa crassa tentativa de destruir a vida profissional de seus colegas. Simplesmente lamentável.
    Parabéns pelo texto.

  • Paulo Milreu em 29 de outubro de 2009 às 12:27

    Excelente post, Maxsuel!

    Abs

    Paulo Milreu
    Enviado de meu iPhone

  • Larissa Morais em 30 de outubro de 2009 às 0:38

    Ficou ótimo, Max. Parabéns!
    bj,
    Larissa

  • Aldryn Helle Santos- SP em 27 de novembro de 2009 às 12:58

    Adorei isso rsume a minha situação atual………

  • Lucas Cerri em 1 de fevereiro de 2010 às 14:27

    Muito bom o post. Essas questões sobre as diferenças de cada um tem que ser dialogado mesmo.

  • Maxsuel Siqueira em 16 de junho de 2010 às 3:18

    Obrigado pelos comentários, pessoal. Essa soma de pontos de vista é uma delícia.

    Abração.

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