A Geração Y e a carreira pública
por Paula Carina em 25/06/2009 na categoria Carreira Pública e Geração Y

Para falar em Geração Y no serviço público é preciso lembrar algumas de suas características. São jovens com menos de 30 anos, ágeis, ousados, criativos, pró-ativos, com visão holística e capazes de realizar inúmeras tarefas ao mesmo tempo. Como Guilherme Tossulino bem lembrou, a Geração Y exige coerência entre o discurso e a prática, precisa de feedback constante para repensar conceitos, repor as energias e seguir adiante.
Combinar as características da Geração Y com as do serviço público não é algo simples. Da forma como o conhecemos no Brasil, o serviço público quase sempre é lembrado como excessivamente burocrático, lento e muitas vezes ineficaz. Pode-se dizer que esses atributos não combinam com os jovens da Geração Y. Se você pretende entrar para a carreira pública com certeza precisará exercitar a paciência.
Ressalto a seguir alguns pontos que podem dificultar a adaptação à carreira pública:
- Demora na tomada de decisão: para a maioria das tomadas de decisão no serviço público é preciso passar por processos longos, documentação minuciosa e burocracia excessiva, o que pode atrapalhar o desenvolvimento de projetos e até mesmo impede-os de seguir em frente.
- Choque de gerações: ao assumir o cargo, o jovem logo quer exteriorizar toda a energia acumulada durante quatro ou cinco anos da faculdade, há um turbilhão de idéias prontas e novos conhecimentos para serem colocados em prática. Quer inovar, fazer diferente e ver os resultados do que aplica. Apesar de todo o gás, o jovem se depara, na maioria das vezes, com um ambiente no órgão público que não está preparado para recebê-lo. Colaboradores que estão na instituição há mais tempo, geralmente apresentam maior resistência a mudanças.
- Pouco ou nenhum feedback: são poucos os gestores que estarão preocupados em dar um retorno quanto às ações do novo colaborador, e até mesmo quanto ao seu crescimento dentro da instituição. Essa não é uma prática comum na maioria dos órgãos públicos. Se no setor privado já sentimos essa carência, na carreira pública a situação pode ser ainda mais difícil.
Ao pensar nos tópicos acima, pode-se dizer que não buscamos apenas um bom salário e a estabilidade proporcionada por esse tipo de carreira, mas muito mais. Buscamos reconhecimento profissional, espaço para colocar nossas ideias em prática, queremos colaborar e compartilhar conhecimento e informação.
Infelizmente, toda essa disposição nem sempre é vista com bons olhos. Apesar de todos os esforços para mudar essa visão, ainda hoje a carreira pública é enxergada por muitas pessoas como uma forma cômoda de levar a vida e quando alguém propõe inovações logo é boicotado e convidado a entrar para o clube dos “acostumados”. Quem, ao entrar para a carreira pública e demonstrar suas inquietudes, nunca ouviu a famosa frase: “Calma, você vai se acostumar”?
Acredito que “se acostumar” não é a melhor opção. É preciso sim respeitar as limitações, aprender a ser paciente e dosar um pouco toda a vontade de expor idéias e querer fazer diferente, e essa dica também vale para os jovens que pretendem ingressar no setor privado. Um pouco de cautela é sempre bom.
Nós temos grande responsabilidade para a mudança desse quadro, se acreditamos que é preciso repensar alguns pontos da carreira pública, o momento é agora, quando vivenciamos as dificuldades e temos condições de auxiliar para revertê-las. Essa não será uma tarefa fácil, entretanto, acredito que uma geração com características tão marcantes, acostumada ao imediatismo, ao novo, uma geração curiosa e com sede de saber, precisa encarar esse como mais um desafio a ser vencido para então seguir em frente!
Leia também:
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Achei muito legal o paralelo =D Parabens!
Definitivamente, geração Y e carreira pública não combinam.
Bom o post!
Eu discordo em parte com o Bruno. A primeira vista parece que elas não combinam, mas acredito que a geração Y é justamente o “gás” que falta no serviço público, afinal aqueles que lá estão hoje não ficarão para sempre. Acredito que com uma boa dose de paciência e vontade de fazer a máquina pública “andar” podemos contribuir consideravelmente para o desenvolvimento nacional.
Muito bom o post!
Concordo com você Diego. Se buscamos um país melhor precisamos começar fazendo a nossa parte. A primeira impressão é de choque e uma imensa vontade de desistir. Mas, quando você percebe que a situação está mudando aos poucos e sabe que ali tem um pouco da sua colaboração, vale muito a pena!
Obrigada pelos comentários!
Excelente post. Fico irritado com pessoas que falam que “serviço público é assim e ponto final…” e continuam levando esse pensamento adiante. Acredito que com uma nova safra ao longo dos anos podemos sim reverter o quadro atual da máquina pública e torná-la um modelo de negócio de alto padrão. Isso é perfeitamente possível e será realidade… Quem viver verá!
Sofro na pele pois sou servidora pública e da geração y. é um verdadeiro choque de condutas. minha chefia é antiquada e cheia de formalismos banais. aqui é valorizado não quem tem mais capacidade e iniciativa e, sim, aquele q é mais submisso. o despreparo dos gestores para receber esses novos funcionários é total.
Paula, Diego e Rodrigo, infelizmente tenho que discordar de vcs. Sou realmente uma cara bem otimista. Sou Y e atualmente trabalho em uma empresa que era estatal e foi privatizada. O choque cultural é muito grande. A frase ” calma, chegasse com muito gás” já ouvimos várias vezes. Serviço público até o momento é como todos tem visão sim. Pilhas e pilhas de burocracia, apego demais pela hierarquia. etc etc. Definitivamente se vc é Y e seu foco é CRESCIMENTO, carreira pública não é indicada. Agora se você quer estabilidade aí já são outros 500. Saudações
[...] pública, eu mesma estava quase certa disso. Enfrentei inúmeras dificuldades, algumas já citadas aqui mesmo no blog. Entretanto, ao conversar com um dos colaboradores do Minha Carreira ele me alertou [...]
Encontrei sem querer este blog e adorei a matéria sobre a geração Y, principalmente porque trabalho em uma empresa privada e meus pais são funcionários públicos e insistem para que eu entre em qualquer cargo público.
Lendo alguns dos comentários comecei a ver que ainda está inglutido na cabeça de qualquer geração a estabilidade, a segurança, coisas que na MINHA opinião só fazem a burocracia, a incompetência, a corrupção do funcionalismo público aumentar, estou falando de uma forma bem abrangente.
Porque não olharmos o funcionalismo público com olhos de empresa privada, temos que demitir SIM o funcionário que não faz o trabalho corretamente, metas que se não forem alcançadas os funcionários deverão SIM sofrer com o não batimento. Simples e fácil de se mudar, CLT no funcionalismo público.
Olá Camila, muito obrigada por compartilhar conosco sua opinião. Acredito que as pessoas precisam olhar o serviço público como um trabalho como qualquer outro. Em um momento de desânimo no início da minha carreira no setor público, ao conversar com o colega Diego Homem pude conhecer a opinião dele e mudar minha opinião. Eu achei que a única saída para acabar com minha indignação seria mudar para uma empresa privada, entretanto, hoje vejo que cabe a mim, com uma visão diferente, fazer a minha parte e plantar uma sementinha em busca da mudança de cultura organizacional. Tenho feito a minha parte e tem dado certo, sei que não conseguirei mudar o mundo, mas tenho consciência que faço a minha parte!
Abraço.
Achei muito legal este site !
Sou de 1978 e trabalho na superintendência do BB, na área de Desenvolvimento sustentável. Aqui é uma empresa de capital misto, mas, tem muito do setor público, por ter sido derivada dele. Estava lendo alguns comentários e todos eles têm um pouco de verdade. Realmente, o setor público ainda possui muita morosidade em alguns serviços e departamentos, e, às vezes, essa ansiedade nossa em fazer acontecer, em quebrar paradigmas, é mal vista ou relacionada a um sinal de imaturidade. Quer saber ? Azar deles…
Faz apenas 3 anos que passei nesse concurso e já progredi, aqui dentro, mais do que qualquer funcionário que eu conheça. Há um ano atrás eu já tinha mais de 5 funcionários, com mais de 15 anos de banco. Às vezes até precisamos ir com calma, mas, podemos fazer isso sem perder nosso estilo.
Abraço,
Olá Renato, obrigada por compartilhar sua experiência conosco.
Realmente não devemos perder nosso estilo, o que precisamos fazer é tentar contagiar nossos colegas com nosso vantade de fazer as coisas acontecerem!
Abraço.