Entrevista: Marina Müller – Importação e Exportação em Dubai

por Diego Homem em 21/04/2009 na categoria Carreira e Entrevistas e Exterior

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A segunda entrevistada do Minha Carreira é Marina Müller, 24, formada em Administração com habilitação em Comércio Exterior pela UNICA, que está trabalhando a mais de um ano e meio na Hakan Agro Commodities Trading Company em Dubai no Emirados Árabes Unidos e foi recém promovida de Documentos de Logística à Gerente de Cargas Refrigeradas.

Minha Carreira: Quanto tempo está em Dubai?
Marina Müller: Estou a um ano e meio, cheguei aqui em Agosto de 2007.

MC: Qual a língua utilizada para se comunicar no dia-a-dia?
MM: Inglês, mesmo vivendo num país árabe.

MC: Você já trabalhou em outros países?
MM: Trabalhei em Utah nos Estados Unidos como busser em um restaurante durante um Work Experience entre 2005 e 2006.

MC: Por que foi, estudos, trabalho ou lazer?
MM: Vim a trabalho, estava querendo muito sair do Brasil novamente e acabou surgindo essa oportunidade de forma até inesperada, pois apesar de procurar por oportunidades fora do país jamais pensei em vir para o Oriente Médio. Na época queria ir para os Estados Unidos novamente e Dubai não era tão conhecida como é hoje, mas pensando no conhecimento que seria adquirido tanto profissional como cultural, penso que valeu a pena, pois ambos são muito importantes na minha profissão. Trabalhei um mês na filial da empresa no Brasil e depois fui transferida para cá.

MC: Qual o motivo de fazer carreira na área de importação e exportação?
MM: Boa pergunta… As coisas na minha vida sempre acabam acontecendo sem muito controle, pois queria Engenharia Civil só que acabei optando por Administração por ser um ramo mais amplo, e quando chegou o momento de escolher a habilitação, escolhi comércio exterior pois tinha interesse em viajar bastante.

MC: Quais eram suas expectativas profissionais para sua carreira antes da sua ida?
MM: Até então não estava esperando muito de minha carreira como agente de comércio exterior pois ainda estava buscando um ramo para me especializar, mas chegando em Dubai decidi que queria conhecer mais dessa área e quem sabe virar trader, minha diretora já me avisou que devo escolher um produto e montar um projeto para sua viabilização como primeiro passo em busca desse objetivo, mas está difícil conciliar a nova função com o tempo necessário para tal pesquisa.

MC: Quais foram as maiores dificuldades profissionais?
MM: Primeiramente entrar na área, por ser muito restrita e concorrida, depois aprender a lidar com os mais diferentes tipos de pessoas e culturas. Sendo que paciência é muito importante, enquanto uns estão correndo, outros estão se arrastando e você tem de fazer todos caminharem no mesmo ritmo.

MC: A cultura da empresa é muito diferente do que você estava acostumada no Brasil?
MM: Saí de uma empresa brasileira para uma turca! A empresa é extremamente familiar e não dá muita importância para o desenvolvimento do funcionário, o que importa são os resultados. Para se ter uma idéia, aqui em Dubai não possuímos nem setor de RH o que faz muita falta comparando com a empresa em que estava no Brasil.

MC: Como você vê o mercado em que atua para os brasileiros?
MM: A diferença do brasileiro nesse ramo é a língua e o saber lidar com outros brasileiros, pois o Brasil é um grande exportador no setor alimentício, e conseguimos agilizar negócios que se fossem dirigidos por estrangeiros levariam mais tempo para serem realizados.

MC: Que habilidades tiveram de ser desenvolvidas?
MM: Primeiro o Inglês, pois meu inglês era de gramática e tive de melhorar a fala e mesmo assim a comunicação em Inglês foi difícil com pessoas de outros países como Índia, Filipinas e Paquistão que possuem um sotaque muito forte e são em grande quantidade em Dubai. Paciência também, pois no Brasil o ritmo era mais rápido, aqui você tem de esperar os outros para te acompanharem.

MC: Que tipo de preparação foi realizada?
MM: Como profissional de comércio exterior você sabe que tem de estudar o país onde vai atuar, principalmente um país árabe, onde sendo mulher você sempre tem aquele medo de ser vista como indecente ou de ficar constrangida em determinados lugares devido aos olhares masculinos. Mas a principal preocupação foi a proximidade com países que estão em guerra, e minha mãe principalmente ficou muito preocupada.

MC: Pretende voltar ao Brasil?
MM: Todo brasileiro quer voltar para o Brasil, pois não existe nenhum país igual, mas a experiência de morar fora é viciante, e mesmo retornando chega um momento em que você deseja viajar outra vez. Tenho planos de voltar ao Brasil, ficar um ou dois anos e depois sair novamente.

MC: Em que pontos essa experiência afetou sua carreira?
MM: Se tivesse ficado na Brasil, estaria até hoje fazendo documentação na mesma posição que ocupava. A oportunidade aqui surgiu na hora certa, logo após terminar a faculdade. Agora como gerente estou desenvolvendo mais uma função que não poderia nem pensar em desenvolver estando apenas um ano e meio na empresa. Com certeza a percepção de outras empresas e profissionais a meu respeito são maiores agora pois também valorizam a capacidade do profissional de pensar por si próprio.

MC: O que muda no profissional brasileiro que trabalha um tempo no exterior?
MM: A primeira coisa que acho que muda é a cabeça, o que você cresce em um ano aqui, o profissional no Brasil cresce em cinco. Seu desenvolvimento é mais rápido por estar geralmente afastado da família e ter de se virar sozinho desenvolvendo independência, e criando seu network do zero.

MC: Que recomendações você daria a quem pretende seguir carreira no exterior?
MM: Estudar bastante, principalmente o país em que está interessado, conhecendo suas tradições e respeitando-as pois assim você também será respeitado. E também que toda a experiência, por menor que seja, é válida. Outro ponto, se apegue as pessoas que gostam de você, são elas que lhe ajudam quando você mais precisa.

MC: Qual o saldo, positivo ou negativo?
MM: Positivo, porque sei que, se precisar voltar para o Brasil, eu conheci pessoas aqui que podem me ajudar futuramente, sendo difícil ficar desempregada. Muitas pessoas que vem do Brasil para cá fazer negócios entram em contato comigo por indicações de conhecidos. Tento tratá-los da melhor forma possível e acabamos desenvolvendo uma amizade que pode trazer outros benefícios posteriormente. Além de que a experiência cultural não tem preço e acabamos incorporando um pouco.

MC: Pronta pra sair de Abaya* na rua?
MM: Não, acho que respeitando a cultura deles, pra mim já está bom, não preciso entrar nela.

* vestido tradicional feminino nos Emirados Árabes Unidos.


Você pertence a Geração Y e possui uma história interessante de carreira no exterior? Entre em contato conosco, você pode ser o próximo entrevistado do Minha Carreira!

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Sobre o autor:

Diego Homem é bacharel em Design Gráfico pela UFSC e trabalha na Flip Media em Dubai como Arquiteto de Informação e Coordenador Criativo, sendo um dos fundadores do Minha Carreira.
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Comentários

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  • Valcioni Homem em 22 de abril de 2009 às 10:41

    Parabéns Diego!
    Entrevistar é uma tarefa tão importante quanto as respostas recebidas do entrevistado. As informações publicadas no blog têm sido de grande valia para os leitores, principalmente para aqueles que pretendem vencer barreiras no exterior, como a cultura local, a língua falada no país de interesse, como montar sua rede de relacionamento e, sem falar do profissinalismo que devemos perseguir diariamente. Tenho indicado a leitura do blog para alguns amigos que possuem filhos e, que estão em busca de clareza para seguirem carreira no exterior.
    Parabéns mais uma vez à você e ao Tossulino pela brilhante idéia de criar esta ferramenta de comunicação.

  • Filipe em 23 de abril de 2009 às 9:32

    Muito interessante a entrevista, parabéns. É bom saber como o profissional da área de Relações Exteriores está sendo valorizado fora do país. Agora, até mesmo a Universidade Federal de Santa Caratina incorporou este curso, demonstrando que a carência deste profissional no mercado vem aumentando cada vez mais. Parabéns ao Blog e a entrevistada.

  • Lili em 23 de abril de 2009 às 14:06

    Excelente! É muito bom saber um pouco sobre as experiências dos brasileiros lá fora e de certos detalhes da convivência com outras culturas.
    Sucesso Marina!

  • Paula Carina de Araújo em 23 de abril de 2009 às 21:15

    Imagino que a experiência de morar e principalmente trabalhar fora do Brasil deve ser muito enriquecedora.
    É muito bom conhecer experiências de sucesso como a da Marina Müller.

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