Pró-atividade na carreira, lutar ou correr?

por Diego Homem em 26/03/2009 na categoria Carreira e Pró-atividade

Pró-atividade na carreira, lutar ou correr?

Não existe empresa perfeita, sim, nem o Google, creio eu. Cada empresa tem seus pontos fortes e fracos, e invariavelmente todos passamos por situações nas quais nos deparamos com opiniões, atitudes, estratégias, processos, e outras tantas coisas que acontecem diferente da maneira em que imaginamos, em alguns casos chegamos a nos sentir ofendidos. Isso levanta a questão e nos põe a pensar se devemos procurar algo novo, seja outra empresa, posição ou carreira quando este tipo de dificuldade aparece ou ficar e lutar para sermos ouvidos.

Um dos pontos que fazem a diferença no perfil de um profissional é a sua pró-atividade em resolver as dificuldades que ocorrem no dia-a-dia, essa qualidade não é fácil de ser encontrada, mas pode ser desenvolvida. No entanto, seu desenvolvimento não é fácil, pois requer justamente a demolição das pedras que estão no caminho.

Devemos sempre avaliar o esforço necessário para implementar uma idéia, considerando todas as etapas (convencimento, implementação e mensuração), os benefícios que serão obtidos para a empresa e para você, e se essa experiência é válida. Para então tomarmos a decisão certa.

Uma forma de organizar e apresentar uma solução para um problema seria:

  1. Avaliar se a solução encontrada é, na sua opinião, a melhor solução para o problema e seu porquê. Identificando os prós e contras.
  2. Uma forma de reforçar suas idéias é mostrar exemplos de seu sucesso. Tentar implementar sua solução em menor escala, em processos e procedimentos particulares pode lhe fornecer os dados necessários, além de já ser um teste da sua validade.
  3. Encontrar o melhor momento para apresentá-la. Isso depende muito do seu ambiente de trabalho e da cultura organizacional da sua empresa, em alguns casos uma reunião formal com data e hora marcada é o ideal, em outras o coffe-break é a oportunidade perfeita. Tente evitar momentos corridos ou em que outras decisões mais urgentes estejam sendo tomadas.
  4. Apresentar sua idéia claramente, expressando de forma aberta os porquês dessa ser a melhor solução.

A aceitação do que foi proposto depende de diversos fatores que não estão sob seu controle, portanto é possível que após apresentar a idéia e, a princípio, a recepção ser muito positiva, ela seja engavetada sem explicações.

Esse tipo de situação pode gerar uma série de sentimentos que vão desde o ódio à indiferença. Entretanto, é nessas horas que devemos esfriar a cabeça e começar a analisar os fatores envolvidos.

  • Será que o problema foi refletido com calma tentando ver todos os ângulos possíveis, para não ser surpreendido por alguma colocação de última hora?
  • Será que o momento escolhido foi propício a sua aceitação?
  • Será que sua idéia foi vendida corretamente?

Lembre-se que as pessoas querem soluções para seus problemas e de preferência com o mínimo de esforço possível. Talvez as vantagens não tenham sido apresentadas corretamente, faltando clareza ou dimensionamento correto dos benefícios. Se algum dos benefícios da sua idéia for corte de custos e/ou aumento dos lucros, tente dar uma atenção maior a essa vantagem. Números e informações reais são mais fáceis de serem mensurados e fortalecem o seu discurso.

Caso, depois de tudo, você não saiba dizer o que deu errado, experimente sentar com um dos seus superiores e questionar a respeito. Preferencialmente, com dia e hora marcados, deixando clara a relevância do assunto. Após a conversa, procure analisar por conta própria se as justificativas apresentadas são compreensíveis.

Se a resposta for negativa, respire fundo e aguarde pela próxima oportunidade. Repita o processo quantas vezes você achar necessário, mas não esqueça que isso não é uma regra e dependerá diretamente do seu nível de comprometimento e interesse em fazer a empresa progredir e de crescer dentro dela.

Após várias rodadas e tentativas com respostas negativas é inevitável o descontentamento e o desânimo, o que pode acarretar uma queda de rendimento e um desgaste nas relações com a empresa. Neste caso pode ser interessante buscar a mudança. Um profissional que não se sente feliz e confortável com o que faz, com o que lhe rodeia e que não se sente valorizado e ouvido, provavelmente não irá render o suficiente, pois somos sempre melhores naquilo que gostamos e temos interesse.

Tome cuidado quando surgirem os problemas para não sair diretamente procurando por outra empresa para trabalhar. Isso é análisado em seleções de emprego e uma rápida olhada em seu currículo poderá revelar o tipo de profissional que você é. Ou seja, aquele descompromissado, que não abraça uma causa e fica enquanto está tudo bem. Profissionais que não gostam de desafios na carreira e que fogem de situações difíceis não são bem vistos e muito menos valorizados pelas empresas. Seja pró-ativo e procure sempre fazer do seu ambiente de trabalho o melhor.

Que tipo de profissional você é? Aquele que luta ou aquele que corre?

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Sobre o autor:

Diego Homem é bacharel em Design Gráfico pela UFSC e trabalha na Flip Media em Dubai como Arquiteto de Informação e Coordenador Criativo, sendo um dos fundadores do Minha Carreira.
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Comentários

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  • Eder em 27 de março de 2009 às 10:00

    Mais um grande post do blog. Blog jovem mas com certeza será referência obrigatória para o contexto.

    Meu parecer em relação à pró-atividade no trabalho é que não podemos “durmí nas paia”, esperando que alguém lhe diga o que fazer e como fazer. Encontrou o problema? Apresente a solução claramente e objetivamente, mas com zelo e delicadesa. Não dá pra apontar um problema que seja de responsabilidade do diretor da empresa simplesmente “abrindo a guela” durante o coffee break. Por outro lado, se não lavaram a caneca de café e deixaram na copa, não precisa mandar um email de 10 parágrafos explicando como os fungos alojados na caneca podem trazer complicações na saúde e blá blá blá. Equielíbrio é fundamental.

    Mais uma vez, parabéns pelo blog e pelo ótimo post.

  • Karen em 30 de março de 2009 às 23:54

    Gostei do post também! Muito boa escolha do tema! Acho válido acrescentar que todos devemos tomar cuidado com o “amor excessivo às próprias idéias”. Muitas vezes fica claro que apesar da sua idéia ser boa o momento não é propício à sua execução ou existem idéias melhores. Nesse caso, vale recorrer a humildade e ‘guardar’ sua idéia, mas sem birra ou frustração porque ela não foi executada. Sentir-se desvalorizado pode também ter muito a ver com como você se sente a seu respeito, nem tudo é sinal de desvalorização…

    • Diego Homem em 1 de abril de 2009 às 11:50

      Muito bem levantado Karen, a autoestima é de suma importância no trato do dia-a-dia, nem sempre um não significa “inutilidade” ou “desgosto”, na miroria das vez é apenas um “no momento não é interessante”.
      E no caso contrário onde se tem amor demais pela idéia é justamente o oposto. Algumas vezes a idéia rejeitada no hoje pode ser a salvação da lavoura no futuro. Paciência sempre cai bem.

  • [...] ser mais incisivo e claro antes de sair atrás de uma nova oportunidade. O Diego escreveu um post muito interessante aqui no blog sobre a pró-atividade na carreira que vale a pena a leitura e vem de encontro com isso. Se mesmo assim não receber as respostas que [...]

  • [...] falamos em Geração Y, a situação é ainda mais delicada, tendo em vista suas exigências e características [...]

  • [...] A maioria das pessoas acha que o processo de “busca” por um emprego acaba quando se faz a entrevista presencial. Depois disso, basta esperar uma ligação ou um retorno por parte da empresa contratante. No entanto, existe uma forma de aumentar suas chances na disputa por essa vaga e, para isso, você precisa ser proativo. [...]

  • Diego Homem em 1 de abril de 2009 às 11:42

    Os exemplos que você citou são pertinentes e muito comuns. Bom senso é um dos maiores aliados no desenvolvimento da carreira. Obrigado pela participação!

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