Entrevista: Fernanda Thiesen – 3 meses na Holanda
por Guilherme Tossulino em 09/03/2009 na categoria Entrevistas e Exterior

Como informado no post anterior, passaremos a ter entrevistas no Minha Carreira e nossa primeira entrevistada é Fernanda Thiesen, que atualmente trabalha no Instituto de Estudos Avançados – IEA como Analista de Testes de Software e que durante três meses aprofundou seus conhecimento na Holanda, na empresa Weev Netherlands.
MC: O que motivou você a ir para a Holanda?
FT: Fui passar férias na Holanda, na época trabalhava na Weev Brasil e conheci a equipe da Weev Netherlands, com isso surgiu a oportunidade.
MC: Você planejou ou tudo aconteceu de repente?
FT: Voltei ao Brasil e demonstrei meu interesse em fazer um trabalho na Weev Netherlands. Em cinco meses já estava de volta a Holanda.
MC: Quais foram suas maiores dificuldades?
FT: Apesar da língua oficial ser o holandês, todos falam ou entendem o inglês. Com isso, os problemas de comunicação que eu achava que iria enfrentar foram poucos. O clima foi um problema, pois eu ia ao trabalho de bicicleta e em alguns dias a temperatura estava por volta dos 8 graus Celsius, as mãos congelavam, o nariz então, nem se fala. A saudade de casa foi uma grande dificuldade, mas nada que algumas fotos e um papo pelo MSN não amenizassem. Acredito que seu eu ficasse mais tempo por lá, isso seria considerado em grau bem maior.
MC: Como foi sua adaptação?
FT: A adaptação foi rápida, a equipe me ajudou muito em todos os aspectos, apesar do povo holandês ser frio com relação a relacionamentos. Me senti bem recebida por todos.
MC: Como foi a adaptação às diferenças culturais da Holanda com o Brasil?
FT: O povo holandês tem uma cultura muito mais aberta do que a nossa em relação a vários aspectos, como uso de drogas, homosexualismo e religião. Todas as formas de expressão são aceitas, e a sua discriminação é considerada crime. No entanto, me adaptei fácil e não encontrei problema algum.
MC: Que hábitos foram adquiridos ou esquecidos?
FT: Troquei almoço de verdade por sanduíches de pão e queijo, ou pão e presunto. Eles não almoçam como a gente e a alimentação me fez muito mal no primeiro mês. Apesar de não almoçarem como nós, jantam às 18h, porque o expediente geralmente termina as 17h e todos moram próximo do trabalho. Batata sempre era o prato principal. Comi batata de tudo quanto é tipo e modo de preparo. Assim que retornei ao Brasil, comi um pratão de arroz e feijão e fiquei um bom tempo sem comer batatas.
MC: Em que pontos essa experiência afetou sua carreira?
FT: Ainda não pude dimensionar esse aspecto, apesar de ter trocado de empresa assim que retornei de viagem.
MC: Que recomendações você dá a quem pretende seguir carreira no exterior?
FT: Cada um tem um modo de perceber as coisas, e vive de maneira diferente cada experiência. Eu diria que a premissa básica pra se viver no exterior é exercitar o desapego: temos muito apego pelo conforto de casa, pelos amigos, pelos hábitos alimentares, pelo modo de se vestir e pela família. É uma tarefa muito difícil para quem é muito apegado a estas coisas. No entanto, é preciso abrir a mente pra tudo que é novo, porque é sempre tudo muito novo e diferente da nossa realidade.
MC: Valeu a pena ter ido?
FT: O saldo foi super positivo. Até mesmo as dificuldades encontradas no caminho serviram pro meu crescimento pessoal e profissional. Realizar qualquer viagem, mesmo que seja a turismo, já te traz uma bagagem de conhecimentos que ninguém vai tirar de você.
MC: Que benefícios a experiência no exterior trouxe para sua carreira?
FT: Ainda não pude sentir na prática os benefícios desta oportunidade, mas acredito que o fato de ter aperfeiçoado o meu inglês e meus conhecimentos técnicos possam vir de encontro com outras oportunidades como essa, e quem sabe, ainda retorne pra Europa, como employee de alguma grande empresa.
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